sexta-feira, 9 de maio de 2014

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

As testemunhas de Jeová e Lucas 23.43

Um estudo hermenêutico da narrativa bíblica


Por Robert M. Bowman Jr.
Tradução de Elvis Brassaroto Aleixo


Nesta matéria, analisaremos o modo como as testemunhas de Jeová interpretam um único versículo da Bíblia, Lucas 23.43, e os argumentos que oferecem em defesa da sua interpretação. Esta análise contemplará dez princípios de interpretação que esse grupo viola constantemente na manipulação que impetram à Bíblia.

Começaremos com a exposição do texto bíblico na versão jeovista e na versão convencional, empregada pelos crentes:

 

Lucas 23.43

Tradução do Novo Mundo (TNM)

“E ele lhe disse: Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no paraíso”

Almeida Corrigida Fiel (ACF)

“E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”



Como se nota prontamente, o único ponto de discordância relevante é se o termo “hoje” pertence à expressão “Deveras, eu te digo” (TNM) ou à expressão “estarás comigo no paraíso” (ACF).

Isso pode parecer sem importância, mas é crucial para as testemunhas de Jeová sustentarem seu posicionamento doutrinário. Como alguns outros grupos religiosos controversos, os jeovistas acreditam que os homens deixam de existir após a morte. Negam que haja uma alma imaterial ou espírito que pode existir como um ser pessoal à parte do corpo. Essa posição é, obviamente, rejeitada por Jesus, que promete ao ladrão arrependido que esse homem estaria com Ele no paraíso “hoje” (no dia da crucificação). Mas, alterando-se a posição da vírgula, essa noção fica totalmente subvertida, fazendo que a idéia de que Jesus e o ladrão foram imediatamente para o paraíso, após suas respectivas mortes, seja eliminada.

A própria posição da vírgula não pode ser determinada por uma simples apreciação do texto grego, porque, no texto grego antigo, não havia nenhuma marca de pontuação: todas as palavras foram justapostas sem nenhum espaço entre elas e todo o texto foi escrito em letras maiúsculas.

A partir disso, poderia parecer, então, que não há nenhum fator probatório que estabeleça qual é, afinal, a tradução correta, portanto, o que se lê na TNM seria uma possibilidade legítima. Contudo, esse não é o caso, como mostraremos nesta matéria. E é justamente isso que nos conduz à nossa primeira observação sobre a interpretação das testemunhas de Jeová:

1 Os jeovistas, freqüentemente, assumem o seguinte: se a tradução deles for gramaticalmente possível, então não pode ser criticada.
Mas, geralmente, buscam justificar a interpretação que se ajusta à doutrina que pregam em vez de procurarem buscar a interpretação que melhor se ajusta ao texto. O que não consideram é que estão em pauta muitos outros fatores que requerem muito mais do que somente uma “possibilidade gramatical de tradução”. No caso de Lucas 23.43, há outras considerações que, decisivamente, provam a tradução habitual e correta ignorada pela TNM.

“Em verdade eu te digo”
As palavras “Deveras, eu te digo hoje” são traduzidas mais literalmente como “Em verdade eu te digo”, em grego, amem lego soi. Essa é uma expressão introdutória ou fórmula que Jesus apenas empregava ao introduzir uma verdade que fosse muito importante e/ou, talvez, difícil de ser acreditada (no evangelho de João encontramos o mesmo tipo de ênfase: 5.25; 8.34, 51,58; 10.7). Uma expressão paralela e igualmente enfática que nos ajudaria a entender melhor esse ponto, e que se encontra no Antigo Testamento, seria: “Assim diz o Senhor” (1Sm 2.27; Is 7.7; Jr 2.2,5; Ez 11.5,7,16,17, entre outros).

É sintomático e suspeito o fato de essa expressão (amem lego soi) aparecer 74 vezes na Bíblia e a TNM observá-la 73 vezes, sendo a única exceção em Lucas 23.43 (a maioria das traduções segue o mesmo padrão em todas as 74 ocorrências).

Ora, a menos que haja evidências incisivas de que o contexto registrado em Lucas 23.43 se trata de uma exceção ao padrão das demais referências bíblicas, o texto deveria ser traduzido de acordo com o emprego habitual que Jesus fazia da expressão. Isso nos conduz à nossa segunda observação hermenêutica, que se relaciona com a primeira:

2 Os jeovistas, normalmente, interpretam o texto bíblico dedutivamente em vez de indutivamente.
O que estamos querendo dizer é que eles, normalmente, constroem sua interpretação a partir daquilo que já concluíram ser a “verdade” (raciocínio dedutivo) em vez de examinar todo o material bíblico pertinente antes de assumir uma conclusão (raciocínio indutivo).

A posição da palavra “hoje” no texto
Em defesa da TNM, as testemunhas de Jeová dizem o seguinte: no texto grego, Lucas posiciona o termo “hoje” (semeron) imediatamente após a expressão “Deveras, eu te digo” (Amem lego soi). Mas se Lucas quisesse que a palavra “hoje” fosse entendida como parte da expressão inicial na sentença de Jesus, poderia tê-lo feito simplesmente escrevendo “Em verdade, hoje eu digo a ti”; Ou, ainda: “Em verdade eu digo a ti hoje que” (adicionando a palavra grega hoti, nosso pronome relativo “que”). Essas reformulações se harmonizariam perfeitamente com a interpretação jeovista. Mas o fato é que o evangelista não empregou nenhuma dessas alternativas. Isso nos conduz à terceira observação hermenêutica:

3 Os jeovistas, notadamente, não consideram se a interpretação que escolhem é a que mais se ajusta ao teor preciso do texto bíblico.
Apenas se interessam em selecionar uma interpretação que, se possível, não contradiga o texto em questão de maneira muito explícita e, ao mesmo tempo, esteja de acordo com a posição doutrinária que adotam.

Uma nota de rodapé da edição de 1984 da TNM mostra que a versão siríaca (tradução do Novo Testamento datada do século 5o) traz o seguinte texto: “Em verdade, eu digo a ti hoje que comigo estarás no Jardim do Éden”. Ironicamente, essa não é nenhuma evidência a favor da pontuação adotada pela TNM, mas contra ela. Como Bruce Metzger, renomado especialista em grego da Universidade de Princeton, explica: “É justamente porque a versão siríaca rearranja a ordem das palavras (não a pontuação) do que é achado no manuscrito grego original que se pode colocar ‘hoje’ na primeira parte da oração”. Então, a nossa quarta observação hermenêutica é:

4 Os jeovistas, freqüentemente, consideram as variações textuais mais pobres e as versões antigas mais suspeitas para que possam apoiar seus posicionamentos doutrinários, mas somente quando essas variações e versões antigas não constituem um àquilo que crêem.
O significado do termo “hoje”
A razão de as testemunhas de Jeová insistirem no texto “Deveras, eu te digo hoje” se firma no seguinte fato: defendem que Jesus estava enfatizando que sua promessa ao ladrão foi proferida naquele dia; isto é, no dia da crucificação deles, quando a fé exercida pelo ladrão arrependido maravilhou o Cristo. Embora isso possa parecer plausível, não há nenhuma evidência para tal explicação no contexto bíblico imediato. O texto não faz nenhuma referência à fé do ladrão, nem há no texto bíblico qualquer outro elemento que apóie essa interpretação.

A interpretação ortodoxa entende que o significado do termo “hoje” remete à petição que o ladrão faz por um lugar no reino futuro e material de Jesus (v. 42), ao que Jesus responde lhe oferecendo um lugar com Ele, naquele mesmo dia, em um paraíso espiritual (v. 43). Essa visão se encaixa diretamente no contexto imediato, por isso é adotada, o que nos leva à nossa quinta observação hermenêutica:

5 Os jeovistas, regularmente, abusam do conceito de “contexto” alargando sua circunstância imediata com um único propósito: reconstruir suas hipóteses.
O significado do termo “paraíso”
A palavra “paraíso” possui uma história variada no contexto bíblico. Na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, empregada pelos judeus que falavam essa língua no século 1o, a palavra “paraíso” se refere ao Jardim do Éden (Gn 2.8-10, etc.). E também a uma transformação futura da terra de Israel, que se assemelharia ao Jardim de Éden (Is 51.3; Ez 36.35). Contudo, para o judaísmo do século 1o a noção de “paraíso” remetia, principalmente, a um lugar “escondido”, de bem-aventuranças, destinado aos justos no interlúdio de sua morte e futura ressurreição. Esse é claramente o uso empregado na referência que Jesus faz ao paraíso em Lucas 23.43.

Na tentativa de mostrar que essa não era a compreensão judaica nos dias de Cristo, as testemunhas de Jeová citam o Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, que declara: “Com a influência grega exercida na doutrina da imortalidade da alma, o paraíso se tornou o lugar de habitação do justo durante seu estado intermediário”. Mas no contexto da mesma citação, a obra em análise declara que o conceito de um paraíso intermediário para o morto tinha sido desenvolvido antes da influência grega, pelo judaísmo, depois do período do Antigo Testamento, e que era justamente essa a visão judaica vigente nos dias de Jesus: “Em Lucas 23.43, [a palavra paraíso] está indubitavelmente subordinada às concepções judaicas contemporâneas, e se refere à habitação intermediária do justo”.

Em duas ocasiões diferentes, relacionadas a Lucas 23.43, as testemunhas de Jeová citam o Dicionário da Bíblia, de James Hasting, para provar que há “pouco apoio” para a “teoria” que afirma que o judaísmo do século 1o tenha concebido um paraíso intermediário. Mas,na verdade, o que Hasting diz é propriamente o oposto: “É certo que a crença em um paraíso inferior prevaleceu entre os judeus, assim como também a crença em um paraíso superior ou divino”. O dicionário também declara, concernente a Lucas 23.43, que “Cristo se referiu ao paraíso celestial”.

Esses dois exemplos do abuso das fontes de estudo das testemunhas de Jeová nos levam à sexta observação hermenêutica:

6 Os jeovistas, normalmente, citam, de modo conveniente, as fontes acadêmicas fora de seus respectivos contextos. E, com isso, fundamentam uma conclusão oposta àquilo que a fonte consultada apresenta.
Projetam em suas citações um teor científico de pesquisa para dar a impressão enganosa de que a fonte citada está em harmonia com suas doutrinas.

As únicas outras referências ao termo “paraíso” no Novo Testamento são encontradas em Apocalipse 2.7 e 2Coríntios 12.4, e ambas são instrutivas:

 

Outras duas menções de “paraíso” no Novo Testamento

2Coríntios 12.4

“Que foi arrebatado para o paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não lícitas ao homem falar” (TNM)

Apocalipse 2.7

“Àquele que vencer concederei comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus” (TNM)

 


As próprias testemunhas de Jeová confirmam que o “paraíso de Deus”, em Apocalipse 2.7, é o paraíso divino, entretanto, não o reconhecem como um estado intermediário usufruído por uma pessoa entre sua morte e sua ressurreição. O texto de 2Coríntios 12.4 é até mais interessante. O paralelo entre o “paraíso” e “o terceiro céu” indica que o paraíso citado se refere a um reino divino, como quase todos os exegetas bíblicos reconhecem. De fato, na literatura judaica que circulava no século 1o era recorrentemente dito que o paraíso se localizava no terceiro céu.
 

Mas as testemunhas de Jeová ensinam que nesse texto Paulo está se referindo a “um estado espiritual experimentado pelo povo de Deus” durante “o tempo da colheita”, que só viria antes do fim. Em outras palavras, declaram que quando Paulo teve a visão do paraíso, o que ocorreu, na verdade, foi uma visão profética acerca das testemunhas de Jeová hoje! Essa manipulação baseada no texto de 2Coríntios 12.4 nos leva à sétima observação hermenêutica:
7 Os jeovistas, freqüentemente, alegorizam as profecias e as visões da Bíblia para associá-las aos eventos históricos de seu próprio movimento religioso.
O significado do termo “comigo”
Jesus prometeu ao ladrão arrependido: “Estarás comigo no paraíso”. E essa declaração contradiz a doutrina das testemunhas de Jeová de duas maneiras.

Primeira, a expressão “estarás comigo” atesta que todos os crentes em Cristo viverão em sua presença, contrariando a crença jeovista, de que a maioria dos crentes, inclusive o ladrão em questão, viverá na terra, enquanto uns poucos selecionados viverão no céu com Cristo.

Segunda, a expressão “comigo no paraíso” também atesta que Cristo foi para o paraíso, contrariando o que as testemunhas de Jeová ensinam sobre o paraíso que, para elas, será terrestre, permanecendo Cristo no céu.

Os jeovistas explicam: “Ele [Jesus] estará com aquele homem no sentido de que Ele o ressuscitará dentre os mortos e cuidará de suas necessidades físicas e espirituais”. Mas em outros textos bíblicos, nos quais Jesus igualmente fala que os crentes estarão com Ele, os jeovistas interpretam literalmente (Lc 22.28; Ap 3.21; 14.1; 20.4,6). Não existe nenhuma boa razão para o mesmo não ser observado também em Lucas 23.43. Estamos diante de uma deixa que nos leva à nossa oitava observação hermenêutica:

8 Os jeovistas são, freqüentemente, forçados a interpretar expressões simples de maneira altamente figurativa, sem autorização do contexto, para que possam manter seu posicionamento doutrinário.
Para onde Jesus foi?
 

Quando Jesus morreu, a Bíblia indica que Ele desceu ao inferno, no “abismo” (Mt 12.40; At 2.27,31; Rm 10.7; Ef 4.9; Ap 1.18). Como, então, Jesus poderia prometer ao ladrão que os dois estariam juntos em um paraíso divino? Além disso, Jesus não disse a Maria, mesmo depois de sua ressurreição, que ainda não tinha ascendido aos céus? “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20.17). As testemunhas de Jeová dizem que esses versículos são incompatíveis com a interpretação ortodoxa de Lucas 23.43.
Antes de responder a esse argumento, chamamos a atenção do leitor para algo importante. Em vez de lidarem com Lucas 23.43 em suas próprias condições e em seu próprio contexto, os jeovistas afirmam que Lucas 23.43 não pode querer dizer o que parece significar, porque isso contradiria a compreensão de outras passagens bíblicas. Isso poderia ser entendido positivamente como uma indicação do compromisso que as testemunhas de Jeová têm com a veracidade absoluta de toda a Bíblia. Mas não há dúvidas de que esse argumento revela, na verdade, um movimento sutil e estratégico, que faz os mais indoutos se perderem na argumentação. Aqui, deparamo-nos com a nossa nona conclusão hermenêutica:

9 Os jeovistas recortam partes da Bíblia e as confrontam entre si, a fim de que possam concordar com seu posicionamento doutrinário.
Uma pequena pesquisa sobre o uso histórico do termo “paraíso” elucida essa discrepância aparentemente difícil. No século 1o, o paraíso intermediário judaico era pensado como se fosse o céu propriamente dito, um lugar de venturas, mas, às vezes, também era pensado como um compartimento “feliz”, “bom”, do inferno. As palavras de Jesus em Lucas 23.43, provavelmente, recorrem ao paraíso como uma parte do inferno destinada ao justo, conforme ocorre em Lucas 16.22-26: “E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. E, além d
isso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá”.

Quer dizer, Jesus não estava prometendo que o ex-ladrão e Ele estariam juntos no céu naquele dia, mas num lugar separado, descansando. Quanto a 2Coríntios 12.4, pode ser adicionado aqui que Cristo, realmente, levou consigo o paraíso ao céu, por ocasião de sua ascensão.

Apresentando as coisas dessa maneira, devemos nos lembrar de que o céu habitado por Deus não é um local físico, fixado no nosso universo espacial-temporal. Os “céus” físicos não podem conter Deus (1Rs 8.27; Is 66.1; At 7.48-49). Nem mesmo se pudéssemos viajar na velocidade da luz poderíamos achar Deus ou sua habitação, procurando-a entre as estrelas. Assim, falar sobre “para onde” Jesus e o ladrão “foram” não deveria ser considerado literalmente.

Isso sugere a nossa décima e última observação:

10 Os jeovistas interpretam as realidades espirituais bíblicas de maneira racionalista.
Por “racionalista”, não queremos nos referir simplesmente ao emprego da razão para compreensão, pois também fazemos isso. Aliás, seria impossível não fazê-lo. Mas as testemunhas de Jeová vão além e exigem que os ensinos da Bíblia se reduzam à compreensão limitada humana. A compreensão humana é finita, mas Deus, em sua essência e entendimento, é infinito. Em qualquer assunto relativo à essência de Deus ou que relacione Deus e sua criação é natural que esperemos paradoxos. O sistema interpretativo das testemunhas de Jeová busca eliminar todo o paradoxo. Os jeovistas exigem um Deus que possam entender em sua completude, em suma: um deus pequeno, diametralmente diferente daquele que cultuamos.

Notas:
1 Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas: com referências. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1984.
2 METZGER, Bruce M. Comentário textual do Novo Testamento grego. Nova York: United Bible Societies, 1971, p.181-2.
3 Ajuda ao entendimento da Bíblia. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1971, p.1269.
4 JEREMIAS, Joachim. Verbete paradeisos, em Dicionário Teológico Novo Testamento, Vol. V. Ed. Gerhard Friedrich. Tradução: Geoffrey W. Bromiley. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1967, p.766-9.
5 BIETENHARD, Hans; BROWN, Colin. Verbete “paraíso”, em Novo dicionário internacional de teologia do Novo Testamento, Vol. II. Ed. Colin Brown. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1976, p. 761, citado na obra jeovista Raciocínios à base das Escrituras. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1985, p. 286.
6 Ibid., p. 761.
7 HASTING, James. Dicionário da Bíblia, Vol. III. Edimburgo: T&T Clarke, 1900), III: 669-70, citado em Ajuda ao entendimento da Bíblia, p. 1269, e Raciocínios à base das Escrituras, p. 286.
8 Ibid., p. 671.
9 Ibid.
10 Ajuda ao entendimento da Bíblia. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1971, p.1270.
11 JEREMIAS, Joachim. Verbete paradeisos, em Dicio

As testemunhas de Jeová e Lucas 23.43

Um estudo hermenêutico da narrativa bíblica

Por Robert M. Bowman Jr.
Tradução de Elvis Brassaroto Aleixo

Nesta matéria, analisaremos o modo como as testemunhas de Jeová interpretam um único versículo da Bíblia, Lucas 23.43, e os argumentos que oferecem em defesa da sua interpretação. Esta análise contemplará dez princípios de interpretação que esse grupo viola constantemente na manipulação que impetram à Bíblia.
Começaremos com a exposição do texto bíblico na versão jeovista e na versão convencional, empregada pelos crentes:

 

Lucas 23.43

Tradução do Novo Mundo (TNM)

“E ele lhe disse: Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no paraíso”

Almeida Corrigida Fiel (ACF)

“E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”



Como se nota prontamente, o único ponto de discordância relevante é se o termo “hoje” pertence à expressão “Deveras, eu te digo” (TNM) ou à expressão “estarás comigo no paraíso” (ACF).

Isso pode parecer sem importância, mas é crucial para as testemunhas de Jeová sustentarem seu posicionamento doutrinário. Como alguns outros grupos religiosos controversos, os jeovistas acreditam que os homens deixam de existir após a morte. Negam que haja uma alma imaterial ou espírito que pode existir como um ser pessoal à parte do corpo. Essa posição é, obviamente, rejeitada por Jesus, que promete ao ladrão arrependido que esse homem estaria com Ele no paraíso “hoje” (no dia da crucificação). Mas, alterando-se a posição da vírgula, essa noção fica totalmente subvertida, fazendo que a idéia de que Jesus e o ladrão foram imediatamente para o paraíso, após suas respectivas mortes, seja eliminada.

A própria posição da vírgula não pode ser determinada por uma simples apreciação do texto grego, porque, no texto grego antigo, não havia nenhuma marca de pontuação: todas as palavras foram justapostas sem nenhum espaço entre elas e todo o texto foi escrito em letras maiúsculas.

A partir disso, poderia parecer, então, que não há nenhum fator probatório que estabeleça qual é, afinal, a tradução correta, portanto, o que se lê na TNM seria uma possibilidade legítima. Contudo, esse não é o caso, como mostraremos nesta matéria. E é justamente isso que nos conduz à nossa primeira observação sobre a interpretação das testemunhas de Jeová:

1 Os jeovistas, freqüentemente, assumem o seguinte: se a tradução deles for gramaticalmente possível, então não pode ser criticada.
Mas, geralmente, buscam justificar a interpretação que se ajusta à doutrina que pregam em vez de procurarem buscar a interpretação que melhor se ajusta ao texto. O que não consideram é que estão em pauta muitos outros fatores que requerem muito mais do que somente uma “possibilidade gramatical de tradução”. No caso de Lucas 23.43, há outras considerações que, decisivamente, provam a tradução habitual e correta ignorada pela TNM.

“Em verdade eu te digo”
As palavras “Deveras, eu te digo hoje” são traduzidas mais literalmente como “Em verdade eu te digo”, em grego, amem lego soi. Essa é uma expressão introdutória ou fórmula que Jesus apenas empregava ao introduzir uma verdade que fosse muito importante e/ou, talvez, difícil de ser acreditada (no evangelho de João encontramos o mesmo tipo de ênfase: 5.25; 8.34, 51,58; 10.7). Uma expressão paralela e igualmente enfática que nos ajudaria a entender melhor esse ponto, e que se encontra no Antigo Testamento, seria: “Assim diz o Senhor” (1Sm 2.27; Is 7.7; Jr 2.2,5; Ez 11.5,7,16,17, entre outros).

É sintomático e suspeito o fato de essa expressão (amem lego soi) aparecer 74 vezes na Bíblia e a TNM observá-la 73 vezes, sendo a única exceção em Lucas 23.43 (a maioria das traduções segue o mesmo padrão em todas as 74 ocorrências).

Ora, a menos que haja evidências incisivas de que o contexto registrado em Lucas 23.43 se trata de uma exceção ao padrão das demais referências bíblicas, o texto deveria ser traduzido de acordo com o emprego habitual que Jesus fazia da expressão. Isso nos conduz à nossa segunda observação hermenêutica, que se relaciona com a primeira:

2 Os jeovistas, normalmente, interpretam o texto bíblico dedutivamente em vez de indutivamente.
O que estamos querendo dizer é que eles, normalmente, constroem sua interpretação a partir daquilo que já concluíram ser a “verdade” (raciocínio dedutivo) em vez de examinar todo o material bíblico pertinente antes de assumir uma conclusão (raciocínio indutivo).

A posição da palavra “hoje” no texto
Em defesa da TNM, as testemunhas de Jeová dizem o seguinte: no texto grego, Lucas posiciona o termo “hoje” (semeron) imediatamente após a expressão “Deveras, eu te digo” (Amem lego soi). Mas se Lucas quisesse que a palavra “hoje” fosse entendida como parte da expressão inicial na sentença de Jesus, poderia tê-lo feito simplesmente escrevendo “Em verdade, hoje eu digo a ti”; Ou, ainda: “Em verdade eu digo a ti hoje que” (adicionando a palavra grega hoti, nosso pronome relativo “que”). Essas reformulações se harmonizariam perfeitamente com a interpretação jeovista. Mas o fato é que o evangelista não empregou nenhuma dessas alternativas. Isso nos conduz à terceira observação hermenêutica:

3 Os jeovistas, notadamente, não consideram se a interpretação que escolhem é a que mais se ajusta ao teor preciso do texto bíblico.
Apenas se interessam em selecionar uma interpretação que, se possível, não contradiga o texto em questão de maneira muito explícita e, ao mesmo tempo, esteja de acordo com a posição doutrinária que adotam.

Uma nota de rodapé da edição de 1984 da TNM mostra que a versão siríaca (tradução do Novo Testamento datada do século 5o) traz o seguinte texto: “Em verdade, eu digo a ti hoje que comigo estarás no Jardim do Éden”. Ironicamente, essa não é nenhuma evidência a favor da pontuação adotada pela TNM, mas contra ela. Como Bruce Metzger, renomado especialista em grego da Universidade de Princeton, explica: “É justamente porque a versão siríaca rearranja a ordem das palavras (não a pontuação) do que é achado no manuscrito grego original que se pode colocar ‘hoje’ na primeira parte da oração”. Então, a nossa quarta observação hermenêutica é:

4 Os jeovistas, freqüentemente, consideram as variações textuais mais pobres e as versões antigas mais suspeitas para que possam apoiar seus posicionamentos doutrinários, mas somente quando essas variações e versões antigas não constituem um àquilo que crêem.
O significado do termo “hoje”
A razão de as testemunhas de Jeová insistirem no texto “Deveras, eu te digo hoje” se firma no seguinte fato: defendem que Jesus estava enfatizando que sua promessa ao ladrão foi proferida naquele dia; isto é, no dia da crucificação deles, quando a fé exercida pelo ladrão arrependido maravilhou o Cristo. Embora isso possa parecer plausível, não há nenhuma evidência para tal explicação no contexto bíblico imediato. O texto não faz nenhuma referência à fé do ladrão, nem há no texto bíblico qualquer outro elemento que apóie essa interpretação.

A interpretação ortodoxa entende que o significado do termo “hoje” remete à petição que o ladrão faz por um lugar no reino futuro e material de Jesus (v. 42), ao que Jesus responde lhe oferecendo um lugar com Ele, naquele mesmo dia, em um paraíso espiritual (v. 43). Essa visão se encaixa diretamente no contexto imediato, por isso é adotada, o que nos leva à nossa quinta observação hermenêutica:

5 Os jeovistas, regularmente, abusam do conceito de “contexto” alargando sua circunstância imediata com um único propósito: reconstruir suas hipóteses.
O significado do termo “paraíso”
A palavra “paraíso” possui uma história variada no contexto bíblico. Na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, empregada pelos judeus que falavam essa língua no século 1o, a palavra “paraíso” se refere ao Jardim do Éden (Gn 2.8-10, etc.). E também a uma transformação futura da terra de Israel, que se assemelharia ao Jardim de Éden (Is 51.3; Ez 36.35). Contudo, para o judaísmo do século 1o a noção de “paraíso” remetia, principalmente, a um lugar “escondido”, de bem-aventuranças, destinado aos justos no interlúdio de sua morte e futura ressurreição. Esse é claramente o uso empregado na referência que Jesus faz ao paraíso em Lucas 23.43.

Na tentativa de mostrar que essa não era a compreensão judaica nos dias de Cristo, as testemunhas de Jeová citam o Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, que declara: “Com a influência grega exercida na doutrina da imortalidade da alma, o paraíso se tornou o lugar de habitação do justo durante seu estado intermediário”. Mas no contexto da mesma citação, a obra em análise declara que o conceito de um paraíso intermediário para o morto tinha sido desenvolvido antes da influência grega, pelo judaísmo, depois do período do Antigo Testamento, e que era justamente essa a visão judaica vigente nos dias de Jesus: “Em Lucas 23.43, [a palavra paraíso] está indubitavelmente subordinada às concepções judaicas contemporâneas, e se refere à habitação intermediária do justo”.

Em duas ocasiões diferentes, relacionadas a Lucas 23.43, as testemunhas de Jeová citam o Dicionário da Bíblia, de James Hasting, para provar que há “pouco apoio” para a “teoria” que afirma que o judaísmo do século 1o tenha concebido um paraíso intermediário. Mas,na verdade, o que Hasting diz é propriamente o oposto: “É certo que a crença em um paraíso inferior prevaleceu entre os judeus, assim como também a crença em um paraíso superior ou divino”. O dicionário também declara, concernente a Lucas 23.43, que “Cristo se referiu ao paraíso celestial”.

Esses dois exemplos do abuso das fontes de estudo das testemunhas de Jeová nos levam à sexta observação hermenêutica:

6 Os jeovistas, normalmente, citam, de modo conveniente, as fontes acadêmicas fora de seus respectivos contextos. E, com isso, fundamentam uma conclusão oposta àquilo que a fonte consultada apresenta.
Projetam em suas citações um teor científico de pesquisa para dar a impressão enganosa de que a fonte citada está em harmonia com suas doutrinas.

As únicas outras referências ao termo “paraíso” no Novo Testamento são encontradas em Apocalipse 2.7 e 2Coríntios 12.4, e ambas são instrutivas:

 

Outras duas menções de “paraíso” no Novo Testamento

2Coríntios 12.4

“Que foi arrebatado para o paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não lícitas ao homem falar” (TNM)

Apocalipse 2.7

“Àquele que vencer concederei comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus” (TNM)

 


As próprias testemunhas de Jeová confirmam que o “paraíso de Deus”, em Apocalipse 2.7, é o paraíso divino, entretanto, não o reconhecem como um estado intermediário usufruído por uma pessoa entre sua morte e sua ressurreição. O texto de 2Coríntios 12.4 é até mais interessante. O paralelo entre o “paraíso” e “o terceiro céu” indica que o paraíso citado se refere a um reino divino, como quase todos os exegetas bíblicos reconhecem. De fato, na literatura judaica que circulava no século 1o era recorrentemente dito que o paraíso se localizava no terceiro céu.
 

Mas as testemunhas de Jeová ensinam que nesse texto Paulo está se referindo a “um estado espiritual experimentado pelo povo de Deus” durante “o tempo da colheita”, que só viria antes do fim. Em outras palavras, declaram que quando Paulo teve a visão do paraíso, o que ocorreu, na verdade, foi uma visão profética acerca das testemunhas de Jeová hoje! Essa manipulação baseada no texto de 2Coríntios 12.4 nos leva à sétima observação hermenêutica:
7 Os jeovistas, freqüentemente, alegorizam as profecias e as visões da Bíblia para associá-las aos eventos históricos de seu próprio movimento religioso.
O significado do termo “comigo”
Jesus prometeu ao ladrão arrependido: “Estarás comigo no paraíso”. E essa declaração contradiz a doutrina das testemunhas de Jeová de duas maneiras.

Primeira, a expressão “estarás comigo” atesta que todos os crentes em Cristo viverão em sua presença, contrariando a crença jeovista, de que a maioria dos crentes, inclusive o ladrão em questão, viverá na terra, enquanto uns poucos selecionados viverão no céu com Cristo.

Segunda, a expressão “comigo no paraíso” também atesta que Cristo foi para o paraíso, contrariando o que as testemunhas de Jeová ensinam sobre o paraíso que, para elas, será terrestre, permanecendo Cristo no céu.

Os jeovistas explicam: “Ele [Jesus] estará com aquele homem no sentido de que Ele o ressuscitará dentre os mortos e cuidará de suas necessidades físicas e espirituais”. Mas em outros textos bíblicos, nos quais Jesus igualmente fala que os crentes estarão com Ele, os jeovistas interpretam literalmente (Lc 22.28; Ap 3.21; 14.1; 20.4,6). Não existe nenhuma boa razão para o mesmo não ser observado também em Lucas 23.43. Estamos diante de uma deixa que nos leva à nossa oitava observação hermenêutica:

8 Os jeovistas são, freqüentemente, forçados a interpretar expressões simples de maneira altamente figurativa, sem autorização do contexto, para que possam manter seu posicionamento doutrinário.
Para onde Jesus foi?
 

Quando Jesus morreu, a Bíblia indica que Ele desceu ao inferno, no “abismo” (Mt 12.40; At 2.27,31; Rm 10.7; Ef 4.9; Ap 1.18). Como, então, Jesus poderia prometer ao ladrão que os dois estariam juntos em um paraíso divino? Além disso, Jesus não disse a Maria, mesmo depois de sua ressurreição, que ainda não tinha ascendido aos céus? “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20.17). As testemunhas de Jeová dizem que esses versículos são incompatíveis com a interpretação ortodoxa de Lucas 23.43.
Antes de responder a esse argumento, chamamos a atenção do leitor para algo importante. Em vez de lidarem com Lucas 23.43 em suas próprias condições e em seu próprio contexto, os jeovistas afirmam que Lucas 23.43 não pode querer dizer o que parece significar, porque isso contradiria a compreensão de outras passagens bíblicas. Isso poderia ser entendido positivamente como uma indicação do compromisso que as testemunhas de Jeová têm com a veracidade absoluta de toda a Bíblia. Mas não há dúvidas de que esse argumento revela, na verdade, um movimento sutil e estratégico, que faz os mais indoutos se perderem na argumentação. Aqui, deparamo-nos com a nossa nona conclusão hermenêutica:

9 Os jeovistas recortam partes da Bíblia e as confrontam entre si, a fim de que possam concordar com seu posicionamento doutrinário.
Uma pequena pesquisa sobre o uso histórico do termo “paraíso” elucida essa discrepância aparentemente difícil. No século 1o, o paraíso intermediário judaico era pensado como se fosse o céu propriamente dito, um lugar de venturas, mas, às vezes, também era pensado como um compartimento “feliz”, “bom”, do inferno. As palavras de Jesus em Lucas 23.43, provavelmente, recorrem ao paraíso como uma parte do inferno destinada ao justo, conforme ocorre em Lucas 16.22-26: “E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. E, além d
isso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá”.

Quer dizer, Jesus não estava prometendo que o ex-ladrão e Ele estariam juntos no céu naquele dia, mas num lugar separado, descansando. Quanto a 2Coríntios 12.4, pode ser adicionado aqui que Cristo, realmente, levou consigo o paraíso ao céu, por ocasião de sua ascensão.

Apresentando as coisas dessa maneira, devemos nos lembrar de que o céu habitado por Deus não é um local físico, fixado no nosso universo espacial-temporal. Os “céus” físicos não podem conter Deus (1Rs 8.27; Is 66.1; At 7.48-49). Nem mesmo se pudéssemos viajar na velocidade da luz poderíamos achar Deus ou sua habitação, procurando-a entre as estrelas. Assim, falar sobre “para onde” Jesus e o ladrão “foram” não deveria ser considerado literalmente.

Isso sugere a nossa décima e última observação:

10 Os jeovistas interpretam as realidades espirituais bíblicas de maneira racionalista.
Por “racionalista”, não queremos nos referir simplesmente ao emprego da razão para compreensão, pois também fazemos isso. Aliás, seria impossível não fazê-lo. Mas as testemunhas de Jeová vão além e exigem que os ensinos da Bíblia se reduzam à compreensão limitada humana. A compreensão humana é finita, mas Deus, em sua essência e entendimento, é infinito. Em qualquer assunto relativo à essência de Deus ou que relacione Deus e sua criação é natural que esperemos paradoxos. O sistema interpretativo das testemunhas de Jeová busca eliminar todo o paradoxo. Os jeovistas exigem um Deus que possam entender em sua completude, em suma: um deus pequeno, diametralmente diferente daquele que cultuamos.

Notas:
1 Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas: com referências. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1984.
2 METZGER, Bruce M. Comentário textual do Novo Testamento grego. Nova York: United Bible Societies, 1971, p.181-2.
3 Ajuda ao entendimento da Bíblia. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1971, p.1269.
4 JEREMIAS, Joachim. Verbete paradeisos, em Dicionário Teológico Novo Testamento, Vol. V. Ed. Gerhard Friedrich. Tradução: Geoffrey W. Bromiley. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1967, p.766-9.
5 BIETENHARD, Hans; BROWN, Colin. Verbete “paraíso”, em Novo dicionário internacional de teologia do Novo Testamento, Vol. II. Ed. Colin Brown. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1976, p. 761, citado na obra jeovista Raciocínios à base das Escrituras. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1985, p. 286.
6 Ibid., p. 761.

As testemunhas de Jeová e Lucas 23.43

Um estudo hermenêutico da narrativa bíblica

Por Robert M. Bowman Jr.
Tradução de Elvis Brassaroto Aleixo

Nesta matéria, analisaremos o modo como as testemunhas de Jeová interpretam um único versículo da Bíblia, Lucas 23.43, e os argumentos que oferecem em defesa da sua interpretação. Esta análise contemplará dez princípios de interpretação que esse grupo viola constantemente na manipulação que impetram à Bíblia.
Começaremos com a exposição do texto bíblico na versão jeovista e na versão convencional, empregada pelos crentes:

 

Lucas 23.43

Tradução do Novo Mundo (TNM)

“E ele lhe disse: Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no paraíso”

Almeida Corrigida Fiel (ACF)

“E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”



Como se nota prontamente, o único ponto de discordância relevante é se o termo “hoje” pertence à expressão “Deveras, eu te digo” (TNM) ou à expressão “estarás comigo no paraíso” (ACF).

Isso pode parecer sem importância, mas é crucial para as testemunhas de Jeová sustentarem seu posicionamento doutrinário. Como alguns outros grupos religiosos controversos, os jeovistas acreditam que os homens deixam de existir após a morte. Negam que haja uma alma imaterial ou espírito que pode existir como um ser pessoal à parte do corpo. Essa posição é, obviamente, rejeitada por Jesus, que promete ao ladrão arrependido que esse homem estaria com Ele no paraíso “hoje” (no dia da crucificação). Mas, alterando-se a posição da vírgula, essa noção fica totalmente subvertida, fazendo que a idéia de que Jesus e o ladrão foram imediatamente para o paraíso, após suas respectivas mortes, seja eliminada.

A própria posição da vírgula não pode ser determinada por uma simples apreciação do texto grego, porque, no texto grego antigo, não havia nenhuma marca de pontuação: todas as palavras foram justapostas sem nenhum espaço entre elas e todo o texto foi escrito em letras maiúsculas.

A partir disso, poderia parecer, então, que não há nenhum fator probatório que estabeleça qual é, afinal, a tradução correta, portanto, o que se lê na TNM seria uma possibilidade legítima. Contudo, esse não é o caso, como mostraremos nesta matéria. E é justamente isso que nos conduz à nossa primeira observação sobre a interpretação das testemunhas de Jeová:

1 Os jeovistas, freqüentemente, assumem o seguinte: se a tradução deles for gramaticalmente possível, então não pode ser criticada.
Mas, geralmente, buscam justificar a interpretação que se ajusta à doutrina que pregam em vez de procurarem buscar a interpretação que melhor se ajusta ao texto. O que não consideram é que estão em pauta muitos outros fatores que requerem muito mais do que somente uma “possibilidade gramatical de tradução”. No caso de Lucas 23.43, há outras considerações que, decisivamente, provam a tradução habitual e correta ignorada pela TNM.

“Em verdade eu te digo”
As palavras “Deveras, eu te digo hoje” são traduzidas mais literalmente como “Em verdade eu te digo”, em grego, amem lego soi. Essa é uma expressão introdutória ou fórmula que Jesus apenas empregava ao introduzir uma verdade que fosse muito importante e/ou, talvez, difícil de ser acreditada (no evangelho de João encontramos o mesmo tipo de ênfase: 5.25; 8.34, 51,58; 10.7). Uma expressão paralela e igualmente enfática que nos ajudaria a entender melhor esse ponto, e que se encontra no Antigo Testamento, seria: “Assim diz o Senhor” (1Sm 2.27; Is 7.7; Jr 2.2,5; Ez 11.5,7,16,17, entre outros).

É sintomático e suspeito o fato de essa expressão (amem lego soi) aparecer 74 vezes na Bíblia e a TNM observá-la 73 vezes, sendo a única exceção em Lucas 23.43 (a maioria das traduções segue o mesmo padrão em todas as 74 ocorrências).

Ora, a menos que haja evidências incisivas de que o contexto registrado em Lucas 23.43 se trata de uma exceção ao padrão das demais referências bíblicas, o texto deveria ser traduzido de acordo com o emprego habitual que Jesus fazia da expressão. Isso nos conduz à nossa segunda observação hermenêutica, que se relaciona com a primeira:

2 Os jeovistas, normalmente, interpretam o texto bíblico dedutivamente em vez de indutivamente.
O que estamos querendo dizer é que eles, normalmente, constroem sua interpretação a partir daquilo que já concluíram ser a “verdade” (raciocínio dedutivo) em vez de examinar todo o material bíblico pertinente antes de assumir uma conclusão (raciocínio indutivo).

A posição da palavra “hoje” no texto
Em defesa da TNM, as testemunhas de Jeová dizem o seguinte: no texto grego, Lucas posiciona o termo “hoje” (semeron) imediatamente após a expressão “Deveras, eu te digo” (Amem lego soi). Mas se Lucas quisesse que a palavra “hoje” fosse entendida como parte da expressão inicial na sentença de Jesus, poderia tê-lo feito simplesmente escrevendo “Em verdade, hoje eu digo a ti”; Ou, ainda: “Em verdade eu digo a ti hoje que” (adicionando a palavra grega hoti, nosso pronome relativo “que”). Essas reformulações se harmonizariam perfeitamente com a interpretação jeovista. Mas o fato é que o evangelista não empregou nenhuma dessas alternativas. Isso nos conduz à terceira observação hermenêutica:

3 Os jeovistas, notadamente, não consideram se a interpretação que escolhem é a que mais se ajusta ao teor preciso do texto bíblico.
Apenas se interessam em selecionar uma interpretação que, se possível, não contradiga o texto em questão de maneira muito explícita e, ao mesmo tempo, esteja de acordo com a posição doutrinária que adotam.

Uma nota de rodapé da edição de 1984 da TNM mostra que a versão siríaca (tradução do Novo Testamento datada do século 5o) traz o seguinte texto: “Em verdade, eu digo a ti hoje que comigo estarás no Jardim do Éden”. Ironicamente, essa não é nenhuma evidência a favor da pontuação adotada pela TNM, mas contra ela. Como Bruce Metzger, renomado especialista em grego da Universidade de Princeton, explica: “É justamente porque a versão siríaca rearranja a ordem das palavras (não a pontuação) do que é achado no manuscrito grego original que se pode colocar ‘hoje’ na primeira parte da oração”. Então, a nossa quarta observação hermenêutica é:

4 Os jeovistas, freqüentemente, consideram as variações textuais mais pobres e as versões antigas mais suspeitas para que possam apoiar seus posicionamentos doutrinários, mas somente quando essas variações e versões antigas não constituem um àquilo que crêem.
O significado do termo “hoje”
A razão de as testemunhas de Jeová insistirem no texto “Deveras, eu te digo hoje” se firma no seguinte fato: defendem que Jesus estava enfatizando que sua promessa ao ladrão foi proferida naquele dia; isto é, no dia da crucificação deles, quando a fé exercida pelo ladrão arrependido maravilhou o Cristo. Embora isso possa parecer plausível, não há nenhuma evidência para tal explicação no contexto bíblico imediato. O texto não faz nenhuma referência à fé do ladrão, nem há no texto bíblico qualquer outro elemento que apóie essa interpretação.

A interpretação ortodoxa entende que o significado do termo “hoje” remete à petição que o ladrão faz por um lugar no reino futuro e material de Jesus (v. 42), ao que Jesus responde lhe oferecendo um lugar com Ele, naquele mesmo dia, em um paraíso espiritual (v. 43). Essa visão se encaixa diretamente no contexto imediato, por isso é adotada, o que nos leva à nossa quinta observação hermenêutica:

5 Os jeovistas, regularmente, abusam do conceito de “contexto” alargando sua circunstância imediata com um único propósito: reconstruir suas hipóteses.
O significado do termo “paraíso”
A palavra “paraíso” possui uma história variada no contexto bíblico. Na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, empregada pelos judeus que falavam essa língua no século 1o, a palavra “paraíso” se refere ao Jardim do Éden (Gn 2.8-10, etc.). E também a uma transformação futura da terra de Israel, que se assemelharia ao Jardim de Éden (Is 51.3; Ez 36.35). Contudo, para o judaísmo do século 1o a noção de “paraíso” remetia, principalmente, a um lugar “escondido”, de bem-aventuranças, destinado aos justos no interlúdio de sua morte e futura ressurreição. Esse é claramente o uso empregado na referência que Jesus faz ao paraíso em Lucas 23.43.

Na tentativa de mostrar que essa não era a compreensão judaica nos dias de Cristo, as testemunhas de Jeová citam o Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, que declara: “Com a influência grega exercida na doutrina da imortalidade da alma, o paraíso se tornou o lugar de habitação do justo durante seu estado intermediário”. Mas no contexto da mesma citação, a obra em análise declara que o conceito de um paraíso intermediário para o morto tinha sido desenvolvido antes da influência grega, pelo judaísmo, depois do período do Antigo Testamento, e que era justamente essa a visão judaica vigente nos dias de Jesus: “Em Lucas 23.43, [a palavra paraíso] está indubitavelmente subordinada às concepções judaicas contemporâneas, e se refere à habitação intermediária do justo”.

Em duas ocasiões diferentes, relacionadas a Lucas 23.43, as testemunhas de Jeová citam o Dicionário da Bíblia, de James Hasting, para provar que há “pouco apoio” para a “teoria” que afirma que o judaísmo do século 1o tenha concebido um paraíso intermediário. Mas,na verdade, o que Hasting diz é propriamente o oposto: “É certo que a crença em um paraíso inferior prevaleceu entre os judeus, assim como também a crença em um paraíso superior ou divino”. O dicionário também declara, concernente a Lucas 23.43, que “Cristo se referiu ao paraíso celestial”.

Esses dois exemplos do abuso das fontes de estudo das testemunhas de Jeová nos levam à sexta observação hermenêutica:

6 Os jeovistas, normalmente, citam, de modo conveniente, as fontes acadêmicas fora de seus respectivos contextos. E, com isso, fundamentam uma conclusão oposta àquilo que a fonte consultada apresenta.
Projetam em suas citações um teor científico de pesquisa para dar a impressão enganosa de que a fonte citada está em harmonia com suas doutrinas.

As únicas outras referências ao termo “paraíso” no Novo Testamento são encontradas em Apocalipse 2.7 e 2Coríntios 12.4, e ambas são instrutivas:

 

Outras duas menções de “paraíso” no Novo Testamento

2Coríntios 12.4

“Que foi arrebatado para o paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não lícitas ao homem falar” (TNM)

Apocalipse 2.7

“Àquele que vencer concederei comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus” (TNM)

 


As próprias testemunhas de Jeová confirmam que o “paraíso de Deus”, em Apocalipse 2.7, é o paraíso divino, entretanto, não o reconhecem como um estado intermediário usufruído por uma pessoa entre sua morte e sua ressurreição. O texto de 2Coríntios 12.4 é até mais interessante. O paralelo entre o “paraíso” e “o terceiro céu” indica que o paraíso citado se refere a um reino divino, como quase todos os exegetas bíblicos reconhecem. De fato, na literatura judaica que circulava no século 1o era recorrentemente dito que o paraíso se localizava no terceiro céu.
 

Mas as testemunhas de Jeová ensinam que nesse texto Paulo está se referindo a “um estado espiritual experimentado pelo povo de Deus” durante “o tempo da colheita”, que só viria antes do fim. Em outras palavras, declaram que quando Paulo teve a visão do paraíso, o que ocorreu, na verdade, foi uma visão profética acerca das testemunhas de Jeová hoje! Essa manipulação baseada no texto de 2Coríntios 12.4 nos leva à sétima observação hermenêutica:
7 Os jeovistas, freqüentemente, alegorizam as profecias e as visões da Bíblia para associá-las aos eventos históricos de seu próprio movimento religioso.
O significado do termo “comigo”
Jesus prometeu ao ladrão arrependido: “Estarás comigo no paraíso”. E essa declaração contradiz a doutrina das testemunhas de Jeová de duas maneiras.

Primeira, a expressão “estarás comigo” atesta que todos os crentes em Cristo viverão em sua presença, contrariando a crença jeovista, de que a maioria dos crentes, inclusive o ladrão em questão, viverá na terra, enquanto uns poucos selecionados viverão no céu com Cristo.

Segunda, a expressão “comigo no paraíso” também atesta que Cristo foi para o paraíso, contrariando o que as testemunhas de Jeová ensinam sobre o paraíso que, para elas, será terrestre, permanecendo Cristo no céu.

Os jeovistas explicam: “Ele [Jesus] estará com aquele homem no sentido de que Ele o ressuscitará dentre os mortos e cuidará de suas necessidades físicas e espirituais”. Mas em outros textos bíblicos, nos quais Jesus igualmente fala que os crentes estarão com Ele, os jeovistas interpretam literalmente (Lc 22.28; Ap 3.21; 14.1; 20.4,6). Não existe nenhuma boa razão para o mesmo não ser observado também em Lucas 23.43. Estamos diante de uma deixa que nos leva à nossa oitava observação hermenêutica:

8 Os jeovistas são, freqüentemente, forçados a interpretar expressões simples de maneira altamente figurativa, sem autorização do contexto, para que possam manter seu posicionamento doutrinário.
Para onde Jesus foi?
 

Quando Jesus morreu, a Bíblia indica que Ele desceu ao inferno, no “abismo” (Mt 12.40; At 2.27,31; Rm 10.7; Ef 4.9; Ap 1.18). Como, então, Jesus poderia prometer ao ladrão que os dois estariam juntos em um paraíso divino? Além disso, Jesus não disse a Maria, mesmo depois de sua ressurreição, que ainda não tinha ascendido aos céus? “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20.17). As testemunhas de Jeová dizem que esses versículos são incompatíveis com a interpretação ortodoxa de Lucas 23.43.
Antes de responder a esse argumento, chamamos a atenção do leitor para algo importante. Em vez de lidarem com Lucas 23.43 em suas próprias condições e em seu próprio contexto, os jeovistas afirmam que Lucas 23.43 não pode querer dizer o que parece significar, porque isso contradiria a compreensão de outras passagens bíblicas. Isso poderia ser entendido positivamente como uma indicação do compromisso que as testemunhas de Jeová têm com a veracidade absoluta de toda a Bíblia. Mas não há dúvidas de que esse argumento revela, na verdade, um movimento sutil e estratégico, que faz os mais indoutos se perderem na argumentação. Aqui, deparamo-nos com a nossa nona conclusão hermenêutica:

9 Os jeovistas recortam partes da Bíblia e as confrontam entre si, a fim de que possam concordar com seu posicionamento doutrinário.
Uma pequena pesquisa sobre o uso histórico do termo “paraíso” elucida essa discrepância aparentemente difícil. No século 1o, o paraíso intermediário judaico era pensado como se fosse o céu propriamente dito, um lugar de venturas, mas, às vezes, também era pensado como um compartimento “feliz”, “bom”, do inferno. As palavras de Jesus em Lucas 23.43, provavelmente, recorrem ao paraíso como uma parte do inferno destinada ao justo, conforme ocorre em Lucas 16.22-26: “E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. E, além d
isso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá”.

Quer dizer, Jesus não estava prometendo que o ex-ladrão e Ele estariam juntos no céu naquele dia, mas num lugar separado, descansando. Quanto a 2Coríntios 12.4, pode ser adicionado aqui que Cristo, realmente, levou consigo o paraíso ao céu, por ocasião de sua ascensão.

Apresentando as coisas dessa maneira, devemos nos lembrar de que o céu habitado por Deus não é um local físico, fixado no nosso universo espacial-temporal. Os “céus” físicos não podem conter Deus (1Rs 8.27; Is 66.1; At 7.48-49). Nem mesmo se pudéssemos viajar na velocidade da luz poderíamos achar Deus ou sua habitação, procurando-a entre as estrelas. Assim, falar sobre “para onde” Jesus e o ladrão “foram” não deveria ser considerado literalmente.

Isso sugere a nossa décima e última observação:

10 Os jeovistas interpretam as realidades espirituais bíblicas de maneira racionalista.
Por “racionalista”, não queremos nos referir simplesmente ao emprego da razão para compreensão, pois também fazemos isso. Aliás, seria impossível não fazê-lo. Mas as testemunhas de Jeová vão além e exigem que os ensinos da Bíblia se reduzam à compreensão limitada humana. A compreensão humana é finita, mas Deus, em sua essência e entendimento, é infinito. Em qualquer assunto relativo à essência de Deus ou que relacione Deus e sua criação é natural que esperemos paradoxos. O sistema interpretativo das testemunhas de Jeová busca eliminar todo o paradoxo. Os jeovistas exigem um Deus que possam entender em sua completude, em suma: um deus pequeno, diametralmente diferente daquele que cultuamos.

Notas:
1 Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas: com referências. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1984.
2 METZGER, Bruce M. Comentário textual do Novo Testamento grego. Nova York: United Bible Societies, 1971, p.181-2.
3 Ajuda ao entendimento da Bíblia. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1971, p.1269.
4 JEREMIAS, Joachim. Verbete paradeisos, em Dicionário Teológico Novo Testamento, Vol. V. Ed. Gerhard Friedrich. Tradução: Geoffrey W. Bromiley. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1967, p.766-9.
5 BIETENHARD, Hans; BROWN, Colin. Verbete “paraíso”, em Novo dicionário internacional de teologia do Novo Testamento, Vol. II. Ed. Colin Brown. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1976, p. 761, citado na obra jeovista Raciocínios à base das Escrituras. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1985, p. 286.
6 Ibid., p. 761.
7 HASTING, James. Dicionário da Bíblia, Vol. III. Edimburgo: T&T Clarke, 1900), III: 669-70, citado em Ajuda ao entendimento da Bíblia, p. 1269, e Raciocínios à base das Escrituras, p. 286.
8 Ibid., p. 671.
9 Ibid.
10 Ajuda ao entendimento da Bíblia. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1971, p.1270.
11 JEREMIAS, Joachim. Verbete paradeisos, em Dicionário Teológico Novo Testamento, Vol. V. Ed. Gerhard Friedrich. Tradução: Geoffrey W. Bromiley. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1967, p. 768.
12 Ajuda ao entendimento da Bíblia. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1971, p. 1270.
13 Poderá viver para sempre no paraíso na Terra. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1982, p.171. Veja também Raciocínios à base das Escrituras. Brooklyn: Soc

As testemunhas de Jeová e Lucas 23.43

Um estudo hermenêutico da narrativa bíblica

Por Robert M. Bowman Jr.
Tradução de Elvis Brassaroto Aleixo

Nesta matéria, analisaremos o modo como as testemunhas de Jeová interpretam um único versículo da Bíblia, Lucas 23.43, e os argumentos que oferecem em defesa da sua interpretação. Esta análise contemplará dez princípios de interpretação que esse grupo viola constantemente na manipulação que impetram à Bíblia.
Começaremos com a exposição do texto bíblico na versão jeovista e na versão convencional, empregada pelos crentes:

 

Lucas 23.43

Tradução do Novo Mundo (TNM)

“E ele lhe disse: Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no paraíso”

Almeida Corrigida Fiel (ACF)

“E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”



Como se nota prontamente, o único ponto de discordância relevante é se o termo “hoje” pertence à expressão “Deveras, eu te digo” (TNM) ou à expressão “estarás comigo no paraíso” (ACF).

Isso pode parecer sem importância, mas é crucial para as testemunhas de Jeová sustentarem seu posicionamento doutrinário. Como alguns outros grupos religiosos controversos, os jeovistas acreditam que os homens deixam de existir após a morte. Negam que haja uma alma imaterial ou espírito que pode existir como um ser pessoal à parte do corpo. Essa posição é, obviamente, rejeitada por Jesus, que promete ao ladrão arrependido que esse homem estaria com Ele no paraíso “hoje” (no dia da crucificação). Mas, alterando-se a posição da vírgula, essa noção fica totalmente subvertida, fazendo que a idéia de que Jesus e o ladrão foram imediatamente para o paraíso, após suas respectivas mortes, seja eliminada.

A própria posição da vírgula não pode ser determinada por uma simples apreciação do texto grego, porque, no texto grego antigo, não havia nenhuma marca de pontuação: todas as palavras foram justapostas sem nenhum espaço entre elas e todo o texto foi escrito em letras maiúsculas.

A partir disso, poderia parecer, então, que não há nenhum fator probatório que estabeleça qual é, afinal, a tradução correta, portanto, o que se lê na TNM seria uma possibilidade legítima. Contudo, esse não é o caso, como mostraremos nesta matéria. E é justamente isso que nos conduz à nossa primeira observação sobre a interpretação das testemunhas de Jeová:

1 Os jeovistas, freqüentemente, assumem o seguinte: se a tradução deles for gramaticalmente possível, então não pode ser criticada.
Mas, geralmente, buscam justificar a interpretação que se ajusta à doutrina que pregam em vez de procurarem buscar a interpretação que melhor se ajusta ao texto. O que não consideram é que estão em pauta muitos outros fatores que requerem muito mais do que somente uma “possibilidade gramatical de tradução”. No caso de Lucas 23.43, há outras considerações que, decisivamente, provam a tradução habitual e correta ignorada pela TNM.

“Em verdade eu te digo”
As palavras “Deveras, eu te digo hoje” são traduzidas mais literalmente como “Em verdade eu te digo”, em grego, amem lego soi. Essa é uma expressão introdutória ou fórmula que Jesus apenas empregava ao introduzir uma verdade que fosse muito importante e/ou, talvez, difícil de ser acreditada (no evangelho de João encontramos o mesmo tipo de ênfase: 5.25; 8.34, 51,58; 10.7). Uma expressão paralela e igualmente enfática que nos ajudaria a entender melhor esse ponto, e que se encontra no Antigo Testamento, seria: “Assim diz o Senhor” (1Sm 2.27; Is 7.7; Jr 2.2,5; Ez 11.5,7,16,17, entre outros).

É sintomático e suspeito o fato de essa expressão (amem lego soi) aparecer 74 vezes na Bíblia e a TNM observá-la 73 vezes, sendo a única exceção em Lucas 23.43 (a maioria das traduções segue o mesmo padrão em todas as 74 ocorrências).

Ora, a menos que haja evidências incisivas de que o contexto registrado em Lucas 23.43 se trata de uma exceção ao padrão das demais referências bíblicas, o texto deveria ser traduzido de acordo com o emprego habitual que Jesus fazia da expressão. Isso nos conduz à nossa segunda observação hermenêutica, que se relaciona com a primeira:

2 Os jeovistas, normalmente, interpretam o texto bíblico dedutivamente em vez de indutivamente.
O que estamos querendo dizer é que eles, normalmente, constroem sua interpretação a partir daquilo que já concluíram ser a “verdade” (raciocínio dedutivo) em vez de examinar todo o material bíblico pertinente antes de assumir uma conclusão (raciocínio indutivo).

A posição da palavra “hoje” no texto
Em defesa da TNM, as testemunhas de Jeová dizem o seguinte: no texto grego, Lucas posiciona o termo “hoje” (semeron) imediatamente após a expressão “Deveras, eu te digo” (Amem lego soi). Mas se Lucas quisesse que a palavra “hoje” fosse entendida como parte da expressão inicial na sentença de Jesus, poderia tê-lo feito simplesmente escrevendo “Em verdade, hoje eu digo a ti”; Ou, ainda: “Em verdade eu digo a ti hoje que” (adicionando a palavra grega hoti, nosso pronome relativo “que”). Essas reformulações se harmonizariam perfeitamente com a interpretação jeovista. Mas o fato é que o evangelista não empregou nenhuma dessas alternativas. Isso nos conduz à terceira observação hermenêutica:

3 Os jeovistas, notadamente, não consideram se a interpretação que escolhem é a que mais se ajusta ao teor preciso do texto bíblico.
Apenas se interessam em selecionar uma interpretação que, se possível, não contradiga o texto em questão de maneira muito explícita e, ao mesmo tempo, esteja de acordo com a posição doutrinária que adotam.

Uma nota de rodapé da edição de 1984 da TNM mostra que a versão siríaca (tradução do Novo Testamento datada do século 5o) traz o seguinte texto: “Em verdade, eu digo a ti hoje que comigo estarás no Jardim do Éden”. Ironicamente, essa não é nenhuma evidência a favor da pontuação adotada pela TNM, mas contra ela. Como Bruce Metzger, renomado especialista em grego da Universidade de Princeton, explica: “É justamente porque a versão siríaca rearranja a ordem das palavras (não a pontuação) do que é achado no manuscrito grego original que se pode colocar ‘hoje’ na primeira parte da oração”. Então, a nossa quarta observação hermenêutica é:

4 Os jeovistas, freqüentemente, consideram as variações textuais mais pobres e as versões antigas mais suspeitas para que possam apoiar seus posicionamentos doutrinários, mas somente quando essas variações e versões antigas não constituem um àquilo que crêem.
O significado do termo “hoje”
A razão de as testemunhas de Jeová insistirem no texto “Deveras, eu te digo hoje” se firma no seguinte fato: defendem que Jesus estava enfatizando que sua promessa ao ladrão foi proferida naquele dia; isto é, no dia da crucificação deles, quando a fé exercida pelo ladrão arrependido maravilhou o Cristo. Embora isso possa parecer plausível, não há nenhuma evidência para tal explicação no contexto bíblico imediato. O texto não faz nenhuma referência à fé do ladrão, nem há no texto bíblico qualquer outro elemento que apóie essa interpretação.

A interpretação ortodoxa entende que o significado do termo “hoje” remete à petição que o ladrão faz por um lugar no reino futuro e material de Jesus (v. 42), ao que Jesus responde lhe oferecendo um lugar com Ele, naquele mesmo dia, em um paraíso espiritual (v. 43). Essa visão se encaixa diretamente no contexto imediato, por isso é adotada, o que nos leva à nossa quinta observação hermenêutica:

5 Os jeovistas, regularmente, abusam do conceito de “contexto” alargando sua circunstância imediata com um único propósito: reconstruir suas hipóteses.
O significado do termo “paraíso”
A palavra “paraíso” possui uma história variada no contexto bíblico. Na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, empregada pelos judeus que falavam essa língua no século 1o, a palavra “paraíso” se refere ao Jardim do Éden (Gn 2.8-10, etc.). E também a uma transformação futura da terra de Israel, que se assemelharia ao Jardim de Éden (Is 51.3; Ez 36.35). Contudo, para o judaísmo do século 1o a noção de “paraíso” remetia, principalmente, a um lugar “escondido”, de bem-aventuranças, destinado aos justos no interlúdio de sua morte e futura ressurreição. Esse é claramente o uso empregado na referência que Jesus faz ao paraíso em Lucas 23.43.

Na tentativa de mostrar que essa não era a compreensão judaica nos dias de Cristo, as testemunhas de Jeová citam o Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, que declara: “Com a influência grega exercida na doutrina da imortalidade da alma, o paraíso se tornou o lugar de habitação do justo durante seu estado intermediário”. Mas no contexto da mesma citação, a obra em análise declara que o conceito de um paraíso intermediário para o morto tinha sido desenvolvido antes da influência grega, pelo judaísmo, depois do período do Antigo Testamento, e que era justamente essa a visão judaica vigente nos dias de Jesus: “Em Lucas 23.43, [a palavra paraíso] está indubitavelmente subordinada às concepções judaicas contemporâneas, e se refere à habitação intermediária do justo”.

Em duas ocasiões diferentes, relacionadas a Lucas 23.43, as testemunhas de Jeová citam o Dicionário da Bíblia, de James Hasting, para provar que há “pouco apoio” para a “teoria” que afirma que o judaísmo do século 1o tenha concebido um paraíso intermediário. Mas,na verdade, o que Hasting diz é propriamente o oposto: “É certo que a crença em um paraíso inferior prevaleceu entre os judeus, assim como também a crença em um paraíso superior ou divino”. O dicionário também declara, concernente a Lucas 23.43, que “Cristo se referiu ao paraíso celestial”.

Esses dois exemplos do abuso das fontes de estudo das testemunhas de Jeová nos levam à sexta observação hermenêutica:

6 Os jeovistas, normalmente, citam, de modo conveniente, as fontes acadêmicas fora de seus respectivos contextos. E, com isso, fundamentam uma conclusão oposta àquilo que a fonte consultada apresenta.
Projetam em suas citações um teor científico de pesquisa para dar a impressão enganosa de que a fonte citada está em harmonia com suas doutrinas.

As únicas outras referências ao termo “paraíso” no Novo Testamento são encontradas em Apocalipse 2.7 e 2Coríntios 12.4, e ambas são instrutivas:

 

Outras duas menções de “paraíso” no Novo Testamento

2Coríntios 12.4

“Que foi arrebatado para o paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não lícitas ao homem falar” (TNM)

Apocalipse 2.7

“Àquele que vencer concederei comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus” (TNM)

 


As próprias testemunhas de Jeová confirmam que o “paraíso de Deus”, em Apocalipse 2.7, é o paraíso divino, entretanto, não o reconhecem como um estado intermediário usufruído por uma pessoa entre sua morte e sua ressurreição. O texto de 2Coríntios 12.4 é até mais interessante. O paralelo entre o “paraíso” e “o terceiro céu” indica que o paraíso citado se refere a um reino divino, como quase todos os exegetas bíblicos reconhecem. De fato, na literatura judaica que circulava no século 1o era recorrentemente dito que o paraíso se localizava no terceiro céu.
 

Mas as testemunhas de Jeová ensinam que nesse texto Paulo está se referindo a “um estado espiritual experimentado pelo povo de Deus” durante “o tempo da colheita”, que só viria antes do fim. Em outras palavras, declaram que quando Paulo teve a visão do paraíso, o que ocorreu, na verdade, foi uma visão profética acerca das testemunhas de Jeová hoje! Essa manipulação baseada no texto de 2Coríntios 12.4 nos leva à sétima observação hermenêutica:

7 Os jeovistas, freqüentemente, alegorizam as profecias e as visões da Bíblia para associá-las aos eventos históricos de seu próprio movimento religioso.

O significado do termo “comigo”

Jesus prometeu ao ladrão arrependido: “Estarás comigo no paraíso”. E essa declaração contradiz a doutrina das testemunhas de Jeová de duas maneiras.

Primeira, a expressão “estarás comigo” atesta que todos os crentes em Cristo viverão em sua presença, contrariando a crença jeovista, de que a maioria dos crentes, inclusive o ladrão em questão, viverá na terra, enquanto uns poucos selecionados viverão no céu com Cristo.

Segunda, a expressão “comigo no paraíso” também atesta que Cristo foi para o paraíso, contrariando o que as testemunhas de Jeová ensinam sobre o paraíso que, para elas, será terrestre, permanecendo Cristo no céu.

Os jeovistas explicam: “Ele [Jesus] estará com aquele homem no sentido de que Ele o ressuscitará dentre os mortos e cuidará de suas necessidades físicas e espirituais”. Mas em outros textos bíblicos, nos quais Jesus igualmente fala que os crentes estarão com Ele, os jeovistas interpretam literalmente (Lc 22.28; Ap 3.21; 14.1; 20.4,6). Não existe nenhuma boa razão para o mesmo não ser observado também em Lucas 23.43. Estamos diante de uma deixa que nos leva à nossa oitava observação hermenêutica:

8 Os jeovistas são, freqüentemente, forçados a interpretar expressões simples de maneira altamente figurativa, sem autorização do contexto, para que possam manter seu posicionamento doutrinário.

Para onde Jesus foi?
 

Quando Jesus morreu, a Bíblia indica que Ele desceu ao inferno, no “abismo” (Mt 12.40; At 2.27,31; Rm 10.7; Ef 4.9; Ap 1.18). Como, então, Jesus poderia prometer ao ladrão que os dois estariam juntos em um paraíso divino? Além disso, Jesus não disse a Maria, mesmo depois de sua ressurreição, que ainda não tinha ascendido aos céus? “Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (Jo 20.17). As testemunhas de Jeová dizem que esses versículos são incompatíveis com a interpretação ortodoxa de Lucas 23.43.
Antes de responder a esse argumento, chamamos a atenção do leitor para algo importante. Em vez de lidarem com Lucas 23.43 em suas próprias condições e em seu próprio contexto, os jeovistas afirmam que Lucas 23.43 não pode querer dizer o que parece significar, porque isso contradiria a compreensão de outras passagens bíblicas. Isso poderia ser entendido positivamente como uma indicação do compromisso que as testemunhas de Jeová têm com a veracidade absoluta de toda a Bíblia. Mas não há dúvidas de que esse argumento revela, na verdade, um movimento sutil e estratégico, que faz os mais indoutos se perderem na argumentação. Aqui, deparamo-nos com a nossa nona conclusão hermenêutica:

9 Os jeovistas recortam partes da Bíblia e as confrontam entre si, a fim de que possam concordar com seu posicionamento doutrinário.
Uma pequena pesquisa sobre o uso histórico do termo “paraíso” elucida essa discrepância aparentemente difícil. No século 1o, o paraíso intermediário judaico era pensado como se fosse o céu propriamente dito, um lugar de venturas, mas, às vezes, também era pensado como um compartimento “feliz”, “bom”, do inferno. As palavras de Jesus em Lucas 23.43, provavelmente, recorrem ao paraíso como uma parte do inferno destinada ao justo, conforme ocorre em Lucas 16.22-26: “E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. E, além d
isso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá”.

Quer dizer, Jesus não estava prometendo que o ex-ladrão e Ele estariam juntos no céu naquele dia, mas num lugar separado, descansando. Quanto a 2Coríntios 12.4, pode ser adicionado aqui que Cristo, realmente, levou consigo o paraíso ao céu, por ocasião de sua ascensão.

Apresentando as coisas dessa maneira, devemos nos lembrar de que o céu habitado por Deus não é um local físico, fixado no nosso universo espacial-temporal. Os “céus” físicos não podem conter Deus (1Rs 8.27; Is 66.1; At 7.48-49). Nem mesmo se pudéssemos viajar na velocidade da luz poderíamos achar Deus ou sua habitação, procurando-a entre as estrelas. Assim, falar sobre “para onde” Jesus e o ladrão “foram” não deveria ser considerado literalmente.

Isso sugere a nossa décima e última observação:

10 Os jeovistas interpretam as realidades espirituais bíblicas de maneira racionalista.
Por “racionalista”, não queremos nos referir simplesmente ao emprego da razão para compreensão, pois também fazemos isso. Aliás, seria impossível não fazê-lo. Mas as testemunhas de Jeová vão além e exigem que os ensinos da Bíblia se reduzam à compreensão limitada humana. A compreensão humana é finita, mas Deus, em sua essência e entendimento, é infinito. Em qualquer assunto relativo à essência de Deus ou que relacione Deus e sua criação é natural que esperemos paradoxos. O sistema interpretativo das testemunhas de Jeová busca eliminar todo o paradoxo. Os jeovistas exigem um Deus que possam entender em sua completude, em suma: um deus pequeno, diametralmente diferente daquele que cultuamos.

Notas:
1 Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas: com referências. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1984.
2 METZGER, Bruce M. Comentário textual do Novo Testamento grego. Nova York: United Bible Societies, 1971, p.181-2.
3 Ajuda ao entendimento da Bíblia. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1971, p.1269.
4 JEREMIAS, Joachim. Verbete paradeisos, em Dicionário Teológico Novo Testamento, Vol. V. Ed. Gerhard Friedrich. Tradução: Geoffrey W. Bromiley. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1967, p.766-9.
5 BIETENHARD, Hans; BROWN, Colin. Verbete “paraíso”, em Novo dicionário internacional de teologia do Novo Testamento, Vol. II. Ed. Colin Brown. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1976, p. 761, citado na obra jeovista Raciocínios à base das Escrituras. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1985, p. 286.
6 Ibid., p. 761.
7 HASTING, James. Dicionário da Bíblia, Vol. III. Edimburgo: T&T Clarke, 1900), III: 669-70, citado em Ajuda ao entendimento da Bíblia, p. 1269, e Raciocínios à base das Escrituras, p. 286.
8 Ibid., p. 671.
9 Ibid.
10 Ajuda ao entendimento da Bíblia. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1971, p.1270.
11 JEREMIAS, Joachim. Verbete paradeisos, em Dicionário Teológico Novo Testamento, Vol. V. Ed. Gerhard Friedrich. Tradução: Geoffrey W. Bromiley. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1967, p. 768.
12 Ajuda ao entendimento da Bíblia. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1971, p. 1270.
13 Poderá viver para sempre no paraíso na Terra. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1982, p.171. Veja também Raciocínios à base das Escrituras. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1985, p. 287.
14 JEREMIAS, Joachim. Verbete paradeisos, em Dicionário Teológico Novo Testamento, Vol. V, ed. Gerhard Friedrich. Tradução: Geoffrey W. Bromiley. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1967, p. 768.
15 LOCKYER, Herbert. Inferno e paraíso antes de e depois da ascensão de Cristo. Grand Rapids: Baker Book House, 1975, p. 94-9.

iedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1985, p. 287.
14 JEREMIAS, Joachim. Verbete paradeisos, em Dicionário Teológico Novo Testamento, Vol. V, ed. Gerhard Friedrich. Tradução: Geoffrey W. Bromiley. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1967, p. 768.
15 LOCKYER, Herbert. Inferno e paraíso antes de e depois da ascensão de Cristo. Grand Rapids: Baker Book House, 1975, p. 94-9.

7 HASTING, James. Dicionário da Bíblia, Vol. III. Edimburgo: T&T Clarke, 1900), III: 669-70, citado em Ajuda ao entendimento da Bíblia, p. 1269, e Raciocínios à base das Escrituras, p. 286.
8 Ibid., p. 671.
9 Ibid.
10 Ajuda ao entendimento da Bíblia. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1971, p.1270.
11 JEREMIAS, Joachim. Verbete paradeisos, em Dicionário Teológico Novo Testamento, Vol. V. Ed. Gerhard Friedrich. Tradução: Geoffrey W. Bromiley. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1967, p. 768.
12 Ajuda ao entendimento da Bíblia. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1971, p. 1270.
13 Poderá viver para sempre no paraíso na Terra. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1982, p.171. Veja também Raciocínios à base das Escrituras. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1985, p. 287.
14 JEREMIAS, Joachim. Verbete paradeisos, em Dicionário Teológico Novo Testamento, Vol. V, ed. Gerhard Friedrich. Tradução: Geoffrey W. Bromiley. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1967, p. 768.
15 LOCKYER, Herbert. Inferno e paraíso antes de e depois da ascensão de Cristo. Grand Rapids: Baker Book House, 1975, p. 94-9.

nário Teológico Novo Testamento, Vol. V. Ed. Gerhard Friedrich. Tradução: Geoffrey W. Bromiley. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1967, p. 768.
12 Ajuda ao entendimento da Bíblia. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1971, p. 1270.
13 Poderá viver para sempre no paraíso na Terra. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1982, p.171. Veja também Raciocínios à base das Escrituras. Brooklyn: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1985, p. 287.
14 JEREMIAS, Joachim. Verbete paradeisos, em Dicionário Teológico Novo Testamento, Vol. V, ed. Gerhard Friedrich. Tradução: Geoffrey W. Bromiley. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Cia., 1967, p. 768.
15 LOCKYER, Herbert. Inferno e paraíso antes de e depois da ascensão de Cristo. Grand Rapids: Baker Book House, 1975, p. 94-9.

JESUS ESTA VOLTANDO


Grupo arrecada 28 mil dólares para criar estátua de Satanás

A ideia é exibir o monumento ao lado de uma obra com os dez mandamentos em Oklahoma

Grupo arrecada 28 mil dólares para criar estátua de Satanás  
 
Grupo arrecada 28 mil dólares para criar estátua de Satanás
Um grupo satanista americano conseguiu juntar dinheiro para erguer uma estátua de Satanás no estado de Oklahoma.
Para erguer a estátua de 2,13 metros de altura o grupo “Satanic Temple” (Templo Satânico) recorreu ao crowd-funding no site Indiegogo, um site de ‘vaquinha virtual’ que recebe doações para os mais diferentes projetos.
Com a ajuda dos internautas o grupo conseguiu juntar 28 mil dólares, a quantia necessária para confeccionar a estátua de Baphomet que será feita em bronze.
A obra mostra satanás como um homem com cabeça de bode sentado em um trono tendo um menino e uma menina de cada lado. Com o dinheiro em mãos, o Satanic Temple terá que conseguir um artista plástico que queira trabalhar com o molde que já está pronto.
O porta-voz do grupo, Lucien Greaves, afirmou em entrevista ao site ABC News que não tem pressa em inaugurar o monumento. “Estamos com calma ao invés de ter pressa, o trabalho de escultura do monumento está quase terminado. Ele definitivamente será em bronze. Não quero cravar datas de seu término… mas deve levar mais alguns meses”, garantiu.
A ideia de criar uma estátua para cultuar a Satanás gerou polêmica no estado de Oklahoma. O grupo satanista quer se valer da máxima de que o Estado é laico e deve aceitar a representação de todas as religiões, não só do cristianismo.
A princípio eles tentaram retirar uma estátua religiosa que mostra os dez mandamentos descritos na Bíblia, como não conseguiram eles então criaram uma estátua para ser exibida ao lado do monumento cristão.


Credito: Gospel Prime

 
por Leiliane Roberta Lopes


quinta-feira, 27 de março de 2014

ORDEM ROSA-CRUZ

ORDEM ROSA-CRUZ


I.     INTRODUÇÃO
Origem remota, rituais ocultos e superdesenvolvimento mental. Esses são alguns dos assuntos que fascinam os iniciados nessa sociedade.
Segundo a própria Ordem, sua finalidade é estudar, testar e ensinar as leis de Deus e da natureza capazes de tornar nossos membros mestres do sagrado templo (o corpo físico) e obreiros do divino laboratório (os reinos da natureza). Isto nos permite prestar auxílio mais eficaz aos que ainda não conhecem aquelas leis e que precisam de assistência. Todo iniciado tem dever de servir, considerando imperativo estudar e praticar as leis ensinadas em nossa Ordem, aplicando-as sempre que oportuno [Manual rosa-cruz, H. Spencer Lewis, 7ª ed., 1981, p. 201].
O objetivo maior dos rosas-cruzes, sempre foi ajudar toda a humanidade a evoluir ao mais alto grau de perfeição terrena, e prestar auxílio a toda criatura, para a glória de Deus e o bem-estar da humanidade [Manual rosa-cruz, H. Spencer Lewis, 7ª ed., 1981, p. 67].
Mas será que realmente seus ensinos estão em conformidade com a Palavra de Deus? O cristão deve fazer parte dessa sociedade secreta?
II.   HISTÓRICO
Fundado por Christian Rosenkreuz, nascido em 1375, segundo a tradição oculta de sua Ordem, foi enviado, muito jovem ainda, para um mosteiro, situado nas fronteiras da Alemanha com a Áustria, onde se educou e desenvolveu. Depois, Rosenkreuz começou a viajar e, após percorre a Alemanha, Áustria e Itália, foi para o Egito, onde foi bem-aceito e acolhido pelos irmãos da Loja Egípcia. Ali, foi admitido em todas os graus dos mistérios egípcios, então conservados por sucessão direta desde os hierofantes da antiguidade.
A Ordem Rosa-Cruz veio para a América em 1694, por intermédio dos ensinos de Johann Kelpius (1673-1708), estudioso do hermetismo tradicional. Segundo os ciclos, a ordem emudeceu em 1801. Silêncio provavelmente causado pela intolerância religiosa. De qualquer foram, 108 anos depois, 1909, seus descendentes voltaram a colocar a Ordem na ativa em São José, Califórnia, hoje sede central dos rosas-cruzes.
A primeira loja organizada em solo brasileiro foi em 1956 e, prevalecendo o ciclo de 108 anos, deverá permanecer em atividade até 2064. Hoje, os rosas-cruzes brasileiros somam 180 mil membros, dos quais 60 mil são paulistas.
No Brasil existe, na cidade de Guarapari, no Espírito Santo, a Igreja Expectante, em atividade desde 1919, fundada por A. R. Costet de Mascheville, esta igreja segue todos os ritos do movimento Rosa-Cruz.
A Sociedade Secreta Rosa-Cruz, que nada mais é do que uma confraternidade mística que promete aos seus membros a condição de alcançar conhecimentos secretos, que resultem em grande vitória e conquistas sociais e materiais. Os rosas-cruzes apresentam certos “benefícios para todos aqueles que fazem parte da Ordem como, por exemplo”:
Eles dividem o universo em Sete Mundos. Ensinam que existem três corpos para o homem e três céus, os quais passam por várias fases de evolução. Que a verdade somente pode ser revelada aos intelectuais e aos místicos (espiritualmente alegórico, de sentido oculto, devoção contemplatica).
O rosacrucianismo é uma forma de espiritismo, elevada a categoria de religião-filosófica, cheia de símbolos e sinais significando uma cruz. Explica o fundador Rosenkreuz, que a cruz tem a planta na terra e a cabeça para o céu. Simboliza a esperança, a pureza e fragrância.
Usam a seguinte saudação: “que as rosas floresçam sobre a sua cruz”. É um voto para melhoramento e maior perfeição mística. Seguem os mesmos princípios do horóscopo e da astrologia.
Toleram outras religiões e abrem as portas a tantos quantos buscam a verdade, afim de que achem, através deles, a suposta regeneração da vida. Prometem aos seus seguidores, felicidade e paz profunda, nesta vida e na futura, denominada “consciência universal”. Ensinem que o homem tem domínio sobre si mesmo para não pecar.
A semelhança das outras seitas, a Ordem Rosa-Cruz também faz sua própria interpretação das Escrituras, estabelecendo comentários que divergem da própria Bíblia.
III.  CERIMÔNIAS E PRÁTICAS
São as seguintes cerimônias e práticas celebradas regularmente que identificam os rosa-cruzes como seita:
1. RITUAL DE APOSIÇÃO DE NOME – deve ser realizado até os 18 meses da data do nascimento, em uma cerimônia semelhante com o batismo de crianças realizado na igreja católica.
2. RITUAL DE MATRIMÔNIO -   um tipo de cerimônia religiosa de casamento, pode ser realizado até uma semana após o casamento civil.
3. RITUAL FÚNEBRE – cerimônia realizada só quando o morto tiver pertencido à Ordem.
4. ORDEM JUVENIL DOS PORTADORES DE ARCHOTE – cerimônia realizada com crianças e adolescentes entre os 5 e 17 anos, com três classes por idade.
5. RITOS ANUAIS – Festa Sagrada do Ano Novo, com refeição simbólica (março); Festa da Pirâmide (setembro) em comemoração à construção da grande Pirâmide de Quéops.
IV.  BENÉFICOS PARA QUEM PERTENCE Á ORDEM
Melhora da saúde; cura a distância; cura por contado; melhora em compreensão espiritual e maior felicidade. Melhora dos afazeres domésticos: no cuidado de crianças, no companheirismo com o conjugue e em outros assuntos íntimos.
Tais “benefícios”, porém, são alcançados por intermédio de poderes ligados ao ocultismo, que é visto como resultado do desenvolvimento mental.
A Bíblia ensina que existem duas manifestações de curas de milagres: os realizados pelo poder de Deus (At 14.3) e os realizados pelo poder do diabo (Êx 7.10-22; 8.7).
Jesus ensinou que nos últimos dias surgiriam falsos profetas e falsos cristos, e que os tais fariam grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os próprios escolhidos (Mt 24.24; ver Ap 19.20).
Esses milagres não devem ser aceitos (Dt 19.20; 2ª Ts 2.10-11), pois não procedem de Deus. Os milagres realizados sob o poder de Deus servem para glorificá-lo e para a conversão de pecadores (Hb 2.4; At 19.11-12).
O homem não tem poderes latentes que possam ser desenvolvidos por exercícios mentais, como procura ensinar a Ordem Rosa-Cruz (Sl 39.5; Jr 17.5; Is 2.22; Sl 103.14-16).
V.   JURAMENTO

Assim como na maçonaria, existe também na Ordem Rosa-Cruz um juramento, o que lhe confere o caráter de sociedade secreta.
Tal juramento representa o compromisso assumido pelos iniciados, quando da Iniciação ao Primeiro Grau, e também em outras ocasiões. Durante o juramento, ocorrem cerimônias e convocações.
As palavras de juramento são procedidas do sinal-da-cruz (não se trata do sinal-da-cruz dos católicos), que deve ser feito lentamente, com dignidade e sincera reverência.
“Diante do sinal-da-cruz, prometo por minha honra não revelar a ninguém que não seja conhecido Frater ou Sóror desta Ordem, os sinais secretos ou palavras que aprender antes, durante ou depois de ter passado pelo Primeiro Grau” [Monografia de iniciação].
A Ordem Rosa-Cruz, procura negar a proibição bíblica contra os juramentos e a filiação com sociedades secretas:
“Não há injunção alguma, em qualquer parte da Bíblia, contra a associação com sociedades de estudos privados. Na verdade, podemos verificar, por uma leitura atenciosa da Bíblia cristã, que existiam sociedades de estudo privado nos tempos bíblicos ou nos primórdios do cristianismo, e que elas não eram condenadas” [Pergunta e resposta rosa-cruzes, H. Spencer Lewis, 7ª ed., 1981, p. 195].
Refutação.
A Bíblia ensina que o juramento é proibido: “Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus; nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei; nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mt 5.34-37).
No livro de Levítico 5.4, o Senhor adverte que aquele que jurar sem saber o que está jurando, será considerado culpado. O NT, na carta do apóstolo São Tiago 5.12, também proíbe o juramento.
O segredo, organizado ou sistemático, é condenado pela Bíblia (Mt 10.26-27; Jo 18.20). Satanás é o príncipe das trevas, e as trevas são o refúgio do pecado (Jo 3.20-21; Ef 5.8-11).
VI.  SÍMBOLOS E MISTICISMO
 
Utilizam-se de objetos em sua práticas ocultistas, tais como: incenso, velas, estátuas, toalhas, aventais, bandeiras, decalques, discos, fitas K-7; publicações como monografias de vários graus enviadas pelo Correio para os membros do Sanctum da Grande Loja – lugar de encontros e atividades para o rol de membros. O símbolo da Ordem é uma cruz negra com uma rosa vermelha no centro. Essa rosa, parcialmente desabrochada, simboliza a consciência em evolução à medida que recebe a Luz Maior [Manual rosa-cruz, H. Spencer Lewis, 7ª ed., 1981, p. 235].

Refutação.
Em nossos dias, o interesse das pessoas por magias, ocultismo, psicologia e desenvolvimento mental tem sido grande. Por isso o fascínio que a Ordem Rosa-Cruz exerce sobre seus iniciados. O ambiente de mistérios que envolve seus rituais e práticas tem seduzido seus adeptos que, dificilmente, deixam a Ordem por quaisquer razões que sejam.
No entanto, a Bíblia nos adverte que a pratica de ocultismo, é contrário aos desígnios de Deus e é por Ele condenado (Dt 18.9-12).
VII.     OBJETOS UTILIZADOS NOS RITUAIS
Ritual praticado pela ordem:
“Selecione qualquer ocasião ou dia da noite, a qualquer período da semana que seja conveniente para realizar este ritual. Requererá o isolamento de uma convocação de Sanctum.
Velas: Ascenda duas velas (archote) no altar de seu Sanctum, colocando-as cerca de 20 cm de distância uma da outra, no mesmo plano. Se tiver a Cruz do Sanctum, coloque-a ligeiramente por trás das duas velas e no centro entre as mesmas.
Incenso: Na ocasião em que preparar as velas, acenda também o incenso no incensório. O incensório deve ser colocado cerca de 10 cm em frente à Cruz do Sanctum.
Avental: Se tiver o seu avental ritualístico, deverá usa-lo, atando-o da maneira usual.
Luzes: Todas as luzes devem ser apagadas, em seu Sanctum, com exceção das velas e a lâmpada próxima à cadeira em que estiver sentado, para a leitura. Evite, se possível, ter luzes brilhantes acesas no teto” [Adito número Um, p. 6].
Ritual: Durante o ritual o estudante será referido como postulante. Esta palavra significa alguém que o solicitou ou aquele que busca sabedoria ou verdade espiritual de uma fonte exaltada ou superior.
Postulante: Levante e se aproxima de seu altar com este manuscrito. Diante do altar faz o sinal-da-cruz como foi anteriormente instruído. Em seguida, lê o que se segue suavemente:
Contemplo a luz do archote à minha frente. Ela revela a mim o que as trevas ocultam. Mas a glória da luz não é autocontida. Ela se alimenta dos elementos materiais do archote e dos elementos químicos do ar no qual eles existem. Embora o archote não tenha criado a chama e sua luz, não obstante esta é dependente do archote. O archote é o corpo necessário, e a chama e a luz são a coroação de sua realização.
Possa eu, humilde Postulente, aprender bem esta lição e respeitar a santidade e necessidade de meu físico! Assim seja! [Adito número Um, p. 6].
Refutação.
A Bíblia declara que Jesus é o caminho, a verdade e a vida; e ninguém vai ao Pai senão por Ele. (Jo 14.6). Jesus mesmo declara: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32).
Vimos que Jesus chama a si mesmo de a Verdade. Assim, somente Ele é a Verdade que liberta o homem. Jesus é a luz do mundo: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (João 8.12).
Os rosa-cruzes precisam conhecer Jesus. Somente assim poderão conhecer, de fato, a Verdade. E, uma vez que conhecerem a Verdade, conhecerão também a sabedoria, pois Tiago afirma: “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tg 1.5).
VIII.   ASTROLOGIA

A Ordem Rosa-Cruz admite a prática da astrologia. Alegam, sem base, que a ciência da astrologia era aceita e que o Antigo Testamento admite a influência dos astros sobre as pessoas.
A astrologia é praticada pelos chamados horóscopos (hora + exame) e se constitui em um dos princípios elementos com os quais se envolve a Ordem Rosa-Cruz:
“Há uma parte da astrologia que é de fato interessante: É a parte inicial simples que possibilita ao indivíduo ler ou as tendências e capacidades de outro indivíduo. A pessoa não precisa ser grande conhecedor, nem ter longa prática para que possa ler o caráter de outro indivíduo através de um horóscopo cuidadosamemente elaborado, mas quando se trata de interpretar o futuro, ou a tentativa de prever acontecimentos futuros, mesmo superficialmente, quando mais detalhadamente, então se incorre em sérias dificuldades, e é este aspecto da astrologia que veementemente condenados, a menos que seja praticado pelos muito poucos ‘experts’ da América ou Europa. Espero que nenhum de nossos membros chegue a nos pedir que lhe revelemos quem são eles” [Fórum Rosa-cruz, vol XIV, abr/1983, nº 2, p.3].
Refutação.
A Bíblia afirma que o Universo foi criado para manifestar a existência e a glória de Deus: “O céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1; Jó 9.7-9; 38.4-7].
As constelações receberam nomes dos deuses antigos, o que envolve idolatria (2ª Rs 23.5; Is 47.13; Jr 10.2-3). A idolatria é uma prática condenada por Deus, e foi destruída pelos reis fiéis entre o povo de Israel.
O raciocínio de que os astros exercem influencia sobre a vida das pessoas é completamente estranho à própria Bíblia, pois o que encontramos, tanto no Antigo quanto no Testamento, são condenações a essa prática (Dt 4.19; At 13.6-8; 19.19; 14.8-15).
IX.  PALAVRAS MÁGICAS
Ordem Rosa-Cruz, afirmam que existem determinadas palavras mágicas que ao serem pronunciadas trazem proteção contra as adversidades da vida.
Ensinam que os membros quando se confrontam com situações graves e ameaçadoras, ao repetirem a palavra Mathrem, ou a palavra Mathra, recebem proteção imediata para o corpo e paz para a mente.
O uso da palavra Mathrem constitui um apelo às hostes cósmicas e ao poder cósmico protetor, enquanto que a palavra Ambetta cria imediatamente uma influencia protetora à sua volta.
Para justificar toda essa onda de ocultismo com palavras mágicas, os rosas-Cruzes afirmam que Jesus proferiu, como suas últimas palavras na cruz, a palavra RA-MA, que é uma combinação de essência positiva masculina (RA) e da essência feminina, negativa (MA); TH representa o poder emanado da combinação de RA e MA.
Refutação.
A Bíblia ensina que podemos até ser tolerante com certas pessoas que andam na prática do ocultismo. Todavia, não podemos negar que tais práticas são demoníacas (Is 2.6; At 8.9, 10).
As últimas palavras de Jesus na cruz foram: “Está consumado” (Jo 19.30). De onde os rosas-cruzes tiram essas idéias.
1ª Timóteo 6.3-4: “Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas”.
X.   O SIGNIFICADO DA CRUZ
“Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1ª Co 1.18).
Os rosas-cruzes removeram a loucura da cruz e criaram, para si mesmo, outro sentido para a palavra cruz. Afirmam:
“Rosa-Cruz: símbolo abstrato ou artificial, composto de dois elementos. Representa o corpo físico do homem, com os braços abertos, voltado para a luz. No centro, no ponto em que braço horizontal da cruz se une ao madeiro vertical, está sobreposta a rosa, representando a personalidade-alma. Essa rosa, parcialmente desabrochada, simboliza a consciência em evolução à medida que recebe a Luz Maior” [Manual rosa-cruz, H. Spencer Lewis, 7ª ed., 1981, p. 235].
Para os membros do rosacrucionismo, o verdadeiro sentido da cruz é:
“Não obstante, desejamos assegurar, tanto a judeus como a gentios, a católicos romanos como a protestantes, que os orientais (que não pertencem a qualquer dessas quatro categorias) consideram sagrado o símbolo da rosa-cruz, não como símbolo religioso, mas com símbolo divino, porque representa a verdadeira divindade do homem e de toda a natureza [Manual rosa-cruz, H. Spencer Lewis, 7ª ed., 1981, p. 89].
Em uma de suas monografias, a ordem dos rosas-cruzes, ensina a seus seguidores a repetir o seguinte ritual:
“Eu sou puro! Eu sou puro! Eu sou puro!
“Minha pureza é a pureza da Divindade do Templo Sagrado. Portanto, não me acontecerá mal neste mundo porque eu, mesmo eu, conheço as leis de Deus, que são o próprio Deus [Monografia de neófito, 2º grau].
Segundo a Bíblia, a cruz foi o instrumento de tortura usado pelos romanos para executar a sentença da morte do Senhor Jesus.
Quando o apóstolo Paulo se refere à palavra cruz, na sua carta aos coríntios, ele está dizendo que a morte de Cristo e o evangelho é loucura perante a sabedoria humana e que a mensagem da cruz não somente abrange a sabedoria e a verdade, mas também o poder ativo de Deus, para salvar, curar, libertar, e redimir a alma do poder do pecado.
No manual dos rosas-cruzes, diz: “....porque representa a verdadeira divindade do homem e de toda a natureza”.
Segundo a Bíblia o homem não é um ser divino, pois, embora criado à imagem e semelhança de Deus, é apenas criatura (Gn 1.26-270). Deus é supremo Criador (Gn 1.1). O desejo de ser divino, à semelhança de Deus, foi o pecado de Satanás, que o lançou fora da presença de Deus (Is 14.12-17).
O homem não é Deus. Logo, os dois não podem ser confundidos (Is 31.3; Ez 28.2, 9).
XI.  ENSINOS SOBRE JESUS
A ordem rosa cruz, confronta os ensinos bíblicos sobre Jesus:
a) “Jesus foi, inquestionavelmente, a culminação da evolução de centenas dos grandes místicos e seres inspirados dos séculos anteriores” [Fórum rosa-cruz, jul/1980, p.55].
Resposta apologética.
Jesus não pode ser comparado a nenhum líder religioso, pois a Bíblia diz que Ele é o próprio Deus (Jo 1.1; 10.30), o único caminho para a salvação (Mt 16.13), o único caminho para Deus (Jo 14.6). Jesus, de fato, é o único meio de salvação providenciado por Deus Jesus comprovou sua autoridade fazendo milagres por onde passava. Quando contestado, operava milagres para confirmar sua autoridade divina (Mc 2.5-7).
b) “A mãe e o pai de Jesus tinham vivido na comunidade essênica. José era membro dos graus elevados da Irmandade, enquanto que Maria era virgem vestal, em um dos templos da Irmandade. Assim, Jesus nasceu na Irmandade Essênia; mas Irmandade Essênia não constituía uma religião ou igreja, ou realmente uma seita” [Monografia do templo, 12º grau].
Resposta apologética.
Jesus nasceu em Belém da Judéia (Mt 2.1; Lc 2.11), e “ficou morando numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que os profetas tinham dito: “O Messias será chamado de Nazareno” (Mt 2.23 NLH).
Os ensinos e atitudes contrários de viver dos essênios:
Quanto ao legalismo:
1. Os essênios eram ferrenhos no seu legalismo de guardar o sábado.
Jesus se mostrou tolerante quanto à guarda do sábado (Mt 12.10-12).
2. Quanto ao ascetismo:
Os essênios viviam asceticamente e tinham certas restrições quanto à alimentação.
Jesus não se afastava do povo nem fazia restrições quanto a comida (Mt 11.19; 15.17-20).
c) A doutrina da expiação, ensinada pela Igreja, consiste em que Cristoexpiou todos os pecados da humanidade, morrendo na cruz. Como homem havia caído em tão forte condição de pecado, e o abismo ente ele e Deus tinha tornado tão grande que era impossível o próprio homem fazer alguma coisa para expiar o seu pecado, foi necessário o próprio Deus, na Pessoa do Cristo, fizesse essa expiação pelo homem. Sabemos que a doutrina da expiação é misticamente verdadeira, mas somente no sentido de que o próprio homem, alcançando o estado de Consciência Cósmica, pode expiar seu estado pecaminoso. [Discurso suplementar, série III, p. 4].
Resposta apologética.
A Bíblia diz que a salvação é dom de Deus. Não pode ser alcançada por intermediário de méritos próprios pessoas (Rm 3.24; Ef 2.8-9; Tt 3.4-7).
Jesus expiou nossos pecados na cruz do Calvário e nos declarou justificados diante de Deus (Rm 3.25-26; 1ª Jo 1.7-9).
Negar a expiação pela morte de Cristo é estar compactuando com o diabo (Mt 16.21-23).
d) É interessante chamarmos a atenção para o fato de que, em nenhuma passagem dos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João existem a declaração positiva, feita com base na observação pessoal desses discípulos, de que Jesus morreu na cruz, ou que estava morto quando o removeram e colocaram no sepulcro. Em João 19.33 encontra-se a declaração de que os soldados acreditaram que Jesus estava morto, mas São João não faz uma declaração positiva e, quando menciona o golpe de lança, não nos da motivo para crer que isto teria causado mais do que um ferimento superficial; por outro lado, o fato de que teriam fluido sangue e água indicaria que Jesus ainda estava vivo [Vida mística de Jesus, 1ª ed., 1985, p. 249).
Resposta apologética.
De todas as religiões existentes no mundo, o cristianismo é a única que teve seu fundador ressurreto. De fato, os primeiros apóstolos demonstravam a autenticidade do cristianismo baseado no fato da ressurreição do Senhor Jesus Cristo. É interessante notar que a maioria das mensagens apresentadas no livro de Atos enfatiza a morte, sepultamento e ressurreição (At 1.22; 4.33; 17.18-31). Cristo fala da sua ressurreição (Jo 2.19), Paulo mostra que o fato histórico da ressurreição de Cristo é fundamental ao Evangelho. “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé” (1ª Co 15.14).
Sem um Cristo ressurreto, não teríamos Evangelho nenhum para anunciar! “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã a nossa fé. Se mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo perecem”.
Paulo confessou abertamente que a ressurreição de Cristo era um fato absolutamente fundamental à sua pregação, pois sem essa ressurreição, não havia mensagem alguma de salvação e nem esperança para se pregar.
A recusa de muitos em admitir e confessar o fato da ressurreição não é novidade do século XX, pois tal atitude se manifestou logo após a ressurreição do Mestre! (Mt 28.12-15).
Outros indivíduos, não querendo admitir o fato da ressurreição, preferem acreditar que Jesus apenas desmaiou, mas não morreu. Tal teoria não convence as pessoas de mente sadia e bem intencionadas, o mesmo Cristo reapareceu em pleno vigor físico e mental; não estado de fraqueza ou semi-inconsciência. Além disso, os mesmos soldados que crucificaram Jesus cravaram uma lança no Seu lado esquerdo, e observaram que das Suas feridas saíram sangue e água, do qual João foi também testemunha ocular (Jo 19.34-35).
Os fisiologistas dos nossos dias são unânimes em declarar que tal efusão de água e sangue dos órgãos vitais do corpo resulta da morte do organismo previamente ocorrida.
Outros críticos incrédulos preferem dizer que Jesus apareceu apenas em espírito. Porém Jesus fez questão de comer na presença de muitas testemunhas após Sua ressurreição, comprovando assim a qualidade física do seu corpo ressurreto. (Lc 24.39).
É mais correto concluir que aqueles que não crêem, nem aceitam a ressurreição corporal do Senhor Jesus Cristo, adotam tal atitude para por meio dela tentarem acalmar sua consciência e daí evitarem a responsabilidade de responder à chamada pessoal e insistente de Jesus Cristo em seus corações, para que creiam no Evangelho, se arrependam, abandonem as vãs imaginações humanas, as heresias e recebam a salvação que Jesus lhes oferece graciosamente.
Havendo examinado vários argumentos contrários à ressurreição, vamos ver as evidências que comprovam a veracidade desse fato histórico.
Túmulo vazio (Mc 16.4-6), os lençóis deixados em ordem (Jo 20.4-6), o testemunho dos soldados (Mt 28.2-4), os testemunhos dos discípulos: em quarto lugar veremos as palavras do apóstolo Paulo (1ª Co 15.3-7).
Essas são as testemunhas vivas naqueles dias e que atestavam terem visto a Jesus ressurreto durante o período de quarenta dias antes da sua ascensão. Todos os onze apóstolos viram-no e com Ele falaram. Depois um grupo de quinhentas pessoas também viram-no pouco antes da sua ascensão. João afirma claramente (Jo 7.5) que, no início do ministério de Jesus, seus próprios irmãos não criam n’Ele. Sabemos que eles passaram a crer e permaneceram fiéis a Jesus após Sua ressurreição, pois At 1.14 menciona como estando no cenáculo com os demais discípulos por ocasião do Pentecostes.
Durante os quarenta dias que permaneceu na terra após a Sua ressurreição, Jesus apareceu às seguintes pessoas:
1                    A Maria Madalena                                                   Jo 20.11-18
2                    Aos dez sob portas fechadas                                   Jo 20.19-23
3                    Aos onze, inclusive Tomé                                        Jo 20.26-29
4                    Aos sete, à beira do Mar da Galiléia                        Jo 21.1-14
5                    A Pedro                                                                   Lc 24.34; 1ª Co 15.5
6                    A Maria Madalena e a outra Maria                          Mt 28.1-10
7                    A Joana, Maria e as demais mulheres                      Lc 24.1-10
8                    Aos onze num monte da Galiléia                             Mt 28.16-17
9                    Aos dois, no caminho de Emaús                             Lc 24.13-35
10                Aos quinhentos galileus                                           1ª Co 15.6
11                A Tiago                                                                    1ª Co 15.7
12                A todos os apóstolos                                               1ª Co 15.7
13                A Paulo                                                                    1ª Co 15.8; At 9.3-7
14                A Estevão                                                                At 7.35-60
e) “É certo que, se todos os cristãos estivessem completamente, treinados os familiarizados com os puros ensinamentos de Cristo, tanto no seu sentido místico como religioso, não existiriam as várias denominações cristãs que temos hoje, nem a rivalidade e a oposição que podem ser encontradas nessas várias denominações da mesma escola de pensamento” [Monografia do templo, 10º grau].
Resposta apologética.
Nenhum cristão ortodoxo deve filiar-se à Ordem Rosa Cruz (2ª Co 6.11-17; Cl 2.8-9).
XII.     O HOMEM
Os rosacruzes afirmam que o homem passa por sete períodos de renascimentos. Em cada período desses, ele evolui um pouco mais.  Ao chegar ao último período o homem será divino. Noutras palavras, isso é reencarnacionismo espírita. Foi com esta mentira que a serpente tentou a Eva no Éden: “Sereis como Deus” (Gn 3.5).
XIII.   REENCARNAÇÃO

A Ordem Rosa-Cruz orgulha do seu ensino sobre a reencarnação  e declara:
“Existem no mundo poucas escolas de ocultismo que têm ensinado esta lei muito sagrada e secreta.
A Ordem Rosa Cruz é a única das escolas metafísica ou ocultistas, em todos os tempos, que ensinaram ao mundo ocidental, esta lei em versão original, correta e completa”.
E explica a forma reecarnacionista que adota:
“De acordo com a lei da reencarnação, cada ser humano renasce no plano terrestre a Cada 144 anos, em média. Em outras palavras, se pudéssemos acompanhar as reencarnações de uma pessoa em um período de mil anos atrás, verificamos a ocorrência de um renascimento em um corpo a cada 144 anos, em média”[Monografia de neófito, 2º grau, nº 12, p.4].
Resposta apologética.
Nenhum cristão que analisa os ensinamentos do Novo Testamento pode acreditar na reencarnação. Jesus ensinou a unidade da vida terrestre ao declarar que o homem rico morreu e foi para o inferno, ao passo que Lázaro, ao morrer, foi para o seio de Abraão (Lc 16.22-26).
O Senhor falou da existência de um lugar definido para o perdido (Mt 25.41 e de um lugar definido para o salvo (Mt 25.34-36). Ensinou que a redenção só é possível por sua morte na cruz, e não por esforço humano (Mt 20.28; 26.26-28; Lc 19.1-10; Jo 3.16-17). Falou da ressurreição do corpo (Jo 5.28-29).
Além dos ensinos do próprio Jesus, a Bíblia declara que o homem morre uma só vez, vindo depois disso o juízo (Hb 9.27).
Paulo afirmou que o cristão, ao morrer fisicamente, vai estar com Cristo no céu (2ª Co 5.6-8; Fl 1.21-23). O corpo aguarda a ressurreição.
João viu o cavaleiro chamado morte e o Hades seguia-o (Ap 6.8). Todos os que creem em Jesus se tornam filhos de Deus, e não se perdem (Jo 1.12), mas vão para o céu (Jo 14.2-3).
Reencarnação se opõe ao ensino bíblico da salvação, pois afirma que a salvação se alcança pelas obras (Rm 4.4-5; Ef 2.8-9).
Jesus deixou claro que a teoria do carma não é verdadeira (Jo 9.1-3).
XIV. A EXISTÊNCIA DE SATANÁS

A ordem Rosa-cruz nega a realidade de um diabo pessoal e da possessão demoníaca, e afirma:
“O homem primitivo tinha a tendência de personalizar todos os poderes e princípios, a ponto de personalizar deuses para os ventos e tempestades, calor, frio, e outras condições do Universo e da vida humana. É natural, então, encontrarmos sua tendência de personificar este poder do mal que parecia penetrar no corpo de algum ser humano causando-lhe toda sorte de problema” [Ibid., 11º, nº 46, p.3].
“Os mestres da Grande Fraternidade Branca iniciaram seus primeiros ataques quando à existência de Satã, mostrando que não ere necessário a existência de um deus mau para justificar todo o mal que existia no mundo” [Ibid., 10º, nº 46, p.3].
Resposta apologética.
A Bíblia é clara quanto ao diabo. Ensina que um dos anjos da mais alta ordem chamava-se Lácifer  que decidiu ser igual a Deus e, por isso, foi desalojado de sua posição (Is 14.12-14).
O diabo passou a lutar contra Deus e tentou, no Édem, nossos primeiros pais, que cederam á tentação (Gn 3.1-5, 9-19). Assim, por meio de Adão, o pecado entrou no homem, causando os males que hoje são vistos no mundo inteiro (Rm 5.12; Jo 8.44).
O diabo vive ao nosso derredor, buscando a quem possa tragar (1ª Pe 5.8), e os demônios possuem o corpo das pessoas para se manifestar (Mc 1.23-27; 5.1-16).
Jesus deu poder aos seus seguidores para que expulsassem os demônios (Mc 16.17; At 19.12-13).
Paulo afirmou que, nos últimos dias, surgiriam doutrina de demônios. Negar a existência de Satanás e dos demônios faz que as pessoas fiquem vulnerável ás insídias do diabo (1ª Tm 4.1; 1ª Jo 4.1-3; 2ª Co 11.13-15).
XV. A ERA DE AQUÁRIOS

A Ordem Rosa-Cruz admite a praticada astrologia, por isso aceita a passagem para a Era de Aquários. Em verdade, é uma organização que a integra o Movimento Nova Era:
“A Nova Era, a Era de Aquários, verá reencarnado um número cada vez maior de personalidades de maior compreensão  [Forum Rosa Cruz, jan/1983, p.15].
Resposta apologética.
A Bíblia ensina que realmente haverá uma nova era, a era do reinado de Cristo, e que essa era será precedida pelo anticristo (1ª Jo 2.18; Lc 1.31-33).
O cavaleiro do cavalo branco (Ap 6.1), traz consigo uma comitiva macabra. O cavalo branco será seguido pelo segundo cavalo (vermelho), que tira a paz da terra ao trazer a guerra. O terceiro cavalo (preto) trará fome. E o quarto cavalo (amarelo) trará a morte (Ap 6.1-8).
Jesus, no entanto, aparece para desfazer as obras do anticristo e do falso profeta, vencendo-os e trazendo paz permanente por mil anos (Ap 19.11-21; 20.1-6).
As pessoas que confiam na astrologia serão decepcionadas e ficarão frustadas quando tais coisas acontecerem (Is 47.12-15).
Pr. Elias Ribas

FONTE DE PESQUISA


1.    BÍBLIA EXPLICADA, S.E.McNair, 4ª Edição, CPAD, Rio de Janeiro RJ.
2.  BÍBLIA PENTECOSTAL, Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida, Edição 1995, CPAD, Rio de Janeiro RJ.
3.    BÍBLIA SHEDD, Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil – 2ª Edição, Sociedade Bíblica do Brasil, Barueri, SP.
4.  BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE, Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida, 1995, Sociedade Bíblica do Brasil, Barueri, SP.
5. CLAUDIONOR CORRÊA DE ANDRADE, Dicionário Teológico, p. 286, 8ª Edição, Ed. CPAD, Rio de janeiro, RJ.
6. CLEMAR GONÇALVES, maçonaria: Duas organizações  uma visível, outra invisível, http://www.espada.eti.br/free001a.asp - acesso dia 25/02/2009.
7.      DELVACYR BASTOS, seitas e heresias, Escola Teológica Filadélfia, Cascavel PR, Email - prdelvacyr@hotmail.com.
8.  FRANCISCO DA SILVEIRA BUENO, Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, 11 ª Edição, FAE, Rio de Janeiro RJ.
9.  GILMAR SANTOS. Teologia Sistemática. Faculdade de Teologia de Goiânia.
10.  JOSÉ ELIAS CROCE, Lições bíblicas, 1º trimestre 2000, Ed. Betel.
11.  JOSÉ FERRAZ, Apostila sobre a Nova Era, apostila extraída da internet.
12.  JOHN LANDERS, Religiões mundiais, Juerp, Rio de Janeiro, 3ª Edição, 1994.
13.  PAULO CÉSAR SEMBLANO DA COSTA, Pelo Lado de Fora É uma Igreja Evangélica — Por Dentro Está Adornada com Chocantes Símbolos Ocultistas, http://www.espada.eti.br/n2174.asp - acesso dia 11/03/2009.
14.  RAIMUNDO OLIVEIRA, Heresiologia – 2ª Edição – EETAD, São Paulo SP.
15.  RAIMUNDO OLIVEIRA, Lições Bíblicas, 1º Trimestre de 1986, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ.
16.  RAPHAEL S LINHARES, Maçonaria, “A Nova Ordem das Épocas” - A Nova Ordem Mundial: http://www.espada.eti.br/n2001.asp - acesso dia 26/02/2009.
17.  RELIGIÕES E SEITAS. IBADEP. 1ª Edição, 2003, Site,www.ibadep.com
18.  RELIGIÕES MUNDIAIS, Seminário Teológico AMID, Cascavel, PR - e-mail: se.amid@hotmail.com
19.  RON RIFFE, maçonaria, a Espada do Espírito,http://www.espada.eti.br/n2001.asp, acesso 09/12/2008.
20.  SEITAS E HERESIAS, Escola de educação teológica Elohim, São Paulo, SP.
32.  SÉRIE APOLOGÉTICA, ICP, Volomes I ao VI, Instituto Cristã de Pesquisa, Site, www.icp.com.br
33.  SEITAS E HERESIAS, SEAMID, Cascavel – PR, se.amid@hotmail.com
34.  SMEETON, DONAL D., História da Igreja, Ed. Global University, 1ª Edição no Brasil 2003. FAETAD, Campinas SP.
35.  HISTÓRIA DA TORRE DE BABEL,www.historiadomundo.com.br/babilonia/torre-babel/ - acesso dia 19/05/2009.